O Caleidoscópio de cada um

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Colagem de Kelly O’Connor via bloglovin’

Gisela Kassoy  é especialista em Criatividade e Inovação. Ela atua com consultoria, seminários, palestras e facilitação de grupos de ideias. Já realizou trabalhos em quase todo o país e também nos Estados Unidos, Europa e América Latina.

Lia Costa: Todos podem ser criativos e inovadores?

Gisela Kassoy: Todo o mundo é criativo. Entretanto há diferentes tipos de criatividade. Se usarmos o conceito do pesquisador inglês Michael Kirton, podemos dividir a criatividade em dois tipos: a adaptadora (das pequenas coisas, dentro da conformidade) e a inovadora (das grandes ideias que quebram paradigmas e trazem mudanças efetivas). Assim, há a pessoas que usam a criatividade para se adaptar ao mundo e tendem a melhorar e adaptar inovações e solucionar problemas e há as que mudam o mundo, que tendem a gerar inovações de impacto.

LC: Todos os criativos são inovadores?

GK: Se mantivermos a definição  que mencionei, nem todos os criativos são inovadores. Mas, na verdade, para implementar uma inovação normalmente é preciso “polir” a ideia inicial, vender o peixe , adaptar a inovação ao mercado etc. Assim sendo, as inovações precisam tanto de inovadores como de adaptadores.
LC: O que é importante considerar para ser uma pessoa criativa?

GK: Costumo dizer que criar é como dançar: algumas pessoas nascem com o dom, outras apenas capazes de se mexer razoavelmente. Entretanto, aqueles que aprendem, desenvolvem e praticam a dança acabam dançando até melhor do que pessoas que nasceram com o dom e foram podadas desde a infância. Outro fator a ser considerado é o ambiente: assim como e mais fácil dançar na balada do que no elevador, e mais fácil criar num local onde há menos censura, onde o pensar diferente vai ser valorizado, onde o desejo de inovar é verdadeiro. Portanto, para reforçar a criatividade, é importante conhecer o processo criativo e também estar cercado de pessoas abertas e estimulantes.

 

LC: A alimentação e prática de exercícios físicos tem alguma relação com o desenvolvimento da mente criativa?

GK: Evidentemente, é mais difícil criar quando a pessoa está com fome, dor de cabeça ou com o estômago pesado, mas considero que o poder de um alimento para tornar as pessoas mais criativas é limitado. Os exercícios físicos contribuem de duas formas: na geração de energia e bem estar, e também para a chamada incubação criativa: muitas pessoas têm boas ideias correndo, nadando ou até na academia.  Vale dizer que a incubação pode funcionar também quando a pessoa está dormindo ou fazendo trabalhos manuais

LC:  O que seria uma liderança criativa e por que isso é importante?

GK:  O líder tem um papel importantíssimo na criatividade de suas equipes.  Criei uma forma fácil de memorizar os princípios da liderança criativa, que chamei de Princípios dos 5Ds. São eles: DESCONTRAÇÃO, que é deixar a equipe á vontade para criar e errar, DIRECIONAMENTO , ou seja, foco: saber o quê e para quê se quer criar, DESAFIO, para garantir que a equipe evolua sempre, DIVERSIDADE que é o reconhecimento e valorização das diferenças entre cada membro da equipe e DESAPEGO, a capacidade de abandonar o ego, as certezas, a noção de que não há mais alternativas

LC:  Por que as pessoas são mais criativas quando crianças?

GK: Podemos comparar a criatividade a um caleidoscópio, no qual as pedrinhas coloridas equivalem ao nosso conhecimento e a argola que a gente gira equivale à nossa imaginação. Nesta analogia, criatividade é a capacidade de recombinar o conhecimento para formar novas imagens. As crianças são mais livres para usar a imaginação, pois sofrem menos censura, por outro lado os adultos possuem mais conhecimento. O melhor dos mundos acontece quando conseguimos recombinar nosso conhecimento com uma postura de criança, ou seja, ludicamente e sem censura, pelo menos num primeiro momento.

LC:  Pessoas criativas são curiosas?

GK: A curiosidade é um componente importantíssimo da criatividade. É com ela que atraímos mais pedrinhas para nossos caleidoscópios.
LC:  O hábito mina a criatividade e a inovação?

GK: Sim. Os hábitos dificultam a percepção de oportunidades,  congelam o pensamento. Quanto mais praticamos ações rotineiras e/ou repetimos as mesmas coisas, mais difícil fica para o cérebro pensar de forma diferente. Um ótimo exercício para estimular a criatividade é justamente mudar os hábitos, visitar lugares diferentes, fazer algo totalmente inédito ou conversar com pessoas que agem e pensam de forma bem diferente da nossa
LC:  Qual a sua opinião sobre a criatividade das crianças da nova geração tecnológica?

GK:  Estou acompanhando alguns estudos sobre o funcionamento da mente humana sem o uso da escrita a mão, com a redução dos relacionamentos presenciais e com a ascensão dos games, mas os estudos são meio controversos, não vi conclusões que me convencessem.  A tendência dos imigrantes digitais (pessoas que nasceram antes da internet) é perceber mais as perdas do que os ganhos, o que não acho justo. Pessoalmente me assusta um pouco é o fato de que as pessoas, por poderem optar com quem conversar, ficam muito restritas aos seus mundinhos, perdem a riqueza das trocas, dos confrontos, da visão de quem pensa diferente.

LC:  Levando em consideração a sua reposta, como serão as próximas gerações?

GK: Nem melhores nem piores, mas muitos diferentes. Serão, sobretudo mais ágeis, o que me princípio é uma vantagem, mas há o risco da superficialidade e da visão polarizada.

LC:  É possível dar dicas para estimular a criatividade? Existe uma receita?

GK: Receita eu não diria, mas há dicas, com certeza. Já mencionei sair da rotina. Outro procedimento super simples é se forçar a ter sempre mais de uma alternativa, nunca se contentar com a primeira. Há também técnicas específicas para estimular novas ideias, a mais conhecida é o Brainstorming – que consiste em forçar a mente a gerar o maior número possível de ideias para depois selecioná-las. Nosso cérebro está programado para memorizar e não para pensar diferente. Ideias podem surgir sempre, mas utilizar as técnicas garante que elas surgirão quando precisarmos delas.

LC:  A criatividade é capaz de tornar tudo possível?

GK: Depende do que se chama de possível. Um ser humano ainda não é capaz de sair voando sozinho, mas a criatividade aliada à tecnologia nos tornou-nos capazes de pegarmos aviões.

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Pai também pode (e deve) ser pai

Phillipe faz cabelo e unhas, Lizandro foi em workshop de tricô e Aggeo se aprofunda cada vez mais no universo feminino. Esses três homens são heteros, e podem não parecer convencionais, mas eles são apenas pais. Pais presentes. E solteiros.

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Foto via

Lizandro Crus, carioca, estava em uma mistura de exuberante felicidade e pavor. Sempre quis ser pai, mas agora que o sonho estava a se concretizar pensava nos obstáculos existentes mesmo antes da criança nascer. Quando um dos seus amigos viu a preocupação dele o chamou para “encher a cara” e lhe dar uns “tapas”.

“Deixa de ser babaca, só por você estar preocupado assim já é melhor que muitos pais!”, disse o amigo.

E depois dessa conversa ele encheu o pulmão decidido a contornar as dificuldades.

O papai de primeira viagem não tinha plano de saúde, e como professor de geografia queria arranjar uma escola melhor para trabalhar, dessa forma seu filho poderia estudar lá gratuitamente. Até para arrumar o enxoval estava apertado. Para agregar, nessa época Lizandro e a esposa estavam se distanciando, mal tinham certeza se continuariam casados. Essa era uma de suas maiores preocupações, pois ele é órfão de mãe desde os 9 anos de idade e foi criado pelo pai, nordestino clássico do “se vira sozinho”. Ele sabe que a carência paterna ou materna não é agradável, por isso hoje tem a guarda do pequeno Thomaz compartilhada.

A história de Lizandro é muito parecida com a de outros pais solteiros e solos (estes têm os cuidados da criança full time). O sonho se realizando na barrigona na mulher, o assombro de olhar para algo tão frágil e saber que a responsabilidade é toda sua, a dor da separação e as dificuldades que todos – quer seja homem ou mulher, na maternidade e na paternidade – têm.

A história se repetia na família da pequena Emma de um ano quando seus pais se separaram. Eles não eram mais amigos e a casa deixou de ser lar. Depois de conversarem decidiram que seria melhor que ela ficasse com o pai. Ainda que tenha sido um consenso, Phillipe Morgese estava com medo. “Eu não me considerava pronto para ser pai”, conta. Ele passou meses lendo sobre o assunto e conversando com amigos. Afinal, ele sabia que ela merecia o melhor dele.

Phillipe aprendeu a fazer penteados nos longos cabelos de Emma. Assim surgiu a ideia de unir o útil ao agradável: Morgese deu início a Daddy Daughter Hair Factory (Fábrica de cabelo da filha do papai, em tradução livre). Da mesma forma que essas informações o ajudaram, ele ajudaria outros pais a tornar o obstáculo em oportunidade de se aproximar das filhas. Primeiramente ele tinha em mente compartilhar a experiência com os amigos que eram pais, mas logo viu a importância do projeto e espalhou para quem quisesse saber.

A iniciativa veio da vontade de que a visão da sociedade sobre a figura paterna pudesse mudar. Pais também são amorosos, envolvidos e entendem o quão importante sua posição é na família. “Nós vamos encorajar uns aos outros e inspirar a próxima geração de pais a serem mais envolvidos. As crianças precisam de nós”, explica. Quando Emma escuta a palavra “pai”, ela interpreta como alguém que mostra o caminho, se preocupa com ela e sempre está disposto a ajudar. “Pais precisam ser fortes e ter dinheiro para sorvete também”, completa.

A relação dos dois é bastante sólida. Eles conversam sobre tudo, até mesmo namorados e menstruação, e Emma não vivenciou nenhum dos dois ainda. Morgese acredita que o amadurecimento dela como mulher vai ser desafiador para ele, uma vez que ele não vai entender tudo o que ela passa.

“Mas eu vou estar lá para confortar e escutar ela, então eu acho que tudo vai ficar bem”, declara.

Phillip conta que o mais gostoso da paternidade é ajudar Emma a criar confiança. “Eu amo ver a animação dela quando ela percebe que tudo é possível”, diz orgulhoso.

Assim como Lizandro e Phillip, Aggeo Simões teve medo. Sua filha Ava tinha um ano e meio quando ele se divorciou da esposa. Optaram pela guarda compartilhada. Sempre quisera ter a experiência de ser pai desde os 15 anos, embora admita que isso não é comum no meio masculino. “Tive pesadelos horrorosos. Acho que meu inconsciente simulou situações que, quando acordado, me fizeram ficar alerta”, declara.

Aggeo passou por fases turbulentas e decidiu compartilhar sua vivência com outros. Assim criou o Manual do Pai Solteiro, primeiramente um blog que agora tem a versão física em livro. Ele conta que já sentiu preconceito das pessoas em relação a sua identificação como “pai solteiro”. Alguns amigos diziam que isso era tática de conquistar mulheres entre outras “besteiras”. Embora Simões siga o exemplo atencioso e amoroso do seu pai, admite que na geração dele o homem não costumava tomar conta de criança. “Era tido como coisa de mulher”, revela.

Diferentemente, o processo da guarda para Lizandro foi uma loucura. Ele não aceitava ver o filho apenas de 15 em 15 dias. “Entrei em paranoia”, relembra. Pela justiça, o dito popular é que a guarda sempre fica com a mãe. “A defensoria se recusava a pegar meu caso, eles diziam que era caso perdido”, conta. Sem apoio jurídico resolveu estudar a legislação. Descobriu que a história da guarda automática para a mãe não era lei. Ele não suportava a dor de ficar longe de alguém que era parte de si e foi lutar no Tribunal.

Não saía da cama, sequer queria tomar banho e mal tinha forças para trabalhar. Só se sentia humano novamente quando o filho estava com ele, era pura cor e energia. Assim que a porta fechava e ele ficava sozinho de novo, o sorriso já era. A casa virava de cabeça para baixo e a cama o convidava a ficar lá mais da metade do dia. Procurou ajuda, estava com depressão. A psicóloga pediu que ele escrevesse o que estava sentindo, a fim de desabafar. Detalhe: ele deveria jogar fora depois. Como professor, pensava que era tamanho absurdo rasgar uma produção cultural e decidiu registrar tudo.

Um amigo o incentivou a publicar em formato de blog a fim de ser orientação para outras pessoas. No dia 24 de janeiro de 2013 nasceu o blog “Sou Pai Solteiro”. Lizandro nunca tinha nem lido algum blog antes. Não tem ânsia pela fama, mas se isso ajudar a divulgar a causa, “vamos lá”, diz. Tem canal no YouTube também, desde 2015, e até agora tem 5 dólares para receber. Hoje ele é porta-voz paterno, causando reflexão nas famílias sobre o papel do pai.

O carioca acredita que a sociedade não prepara os homens para serem pais da mesma forma que estimulam as mulheres para a maternidade. Parece duvidoso e estranho que um homem tenha capacidade para tal. “Mulher não nasce sabendo, comigo foi a mesma coisa”, fala. As frases mais escutadas eram: você faz tudo mesmo? Mas você lava roupa? Você cuida dele? Ao que ele responderia ironicamente: eu compro ração, coloco leite e dou pra ele. Jogo roupa fora e compro novas. “Eu acordo 5h40 da manhã, não acreditam. São coisas que mãe tem que fazer, e eu como pai faço também”, conta.

Tudo que as mães contam passar, eles passaram. Ao falar do seu papel como pai, Lizandro brinca que não dá de mamar e não pariu por motivos óbvios, mas declara ter descoberto um amor incondicional nunca sentido antes.

“Já enchi a cara de desilusões amorosas, mas nada é comparado aquela mãozinha tocando na tua cara, a respiração dele deitado no seu peito”, diz.

As coisas chatas como dar banho e limpar fraldas, o papai revela ter feito reclamando, mas feliz.  Ele lembra de já ter trocado a fralda de Thomaz em público, porque no banheiro masculino não tinha fraldário. A rotina toda muda e cansa, mas existe disposição para no dia seguinte repetir tudo, pois a experiência de paternidade mata mais de amores do que de cansaço.

Já para Aggeo, as maiores dificuldades como pai solteiro eram de levar a filha ao banheiro feminino, apresentar a nova namorada e coisas cotidianas como fazer comidas saudáveis que ela gostasse. Embora Ava tenha atualmente 13 anos, as preocupações continuam com relação a integridade, segurança, saúde física e mental bem como educação.  Por isso o diálogo é tão importante. “Quando eu sinto que ela está precisando desabafar, a gente senta, conversa e flui”, conta. Mesmo que não esteja totalmente inserido no universo feminino, Aggeo fala sobre tudo, respeitando quando ela fica tímida com certos assuntos.

Ele afirma que ver um ser humano crescer é lindo. “Ainda mais quando é sua filha”, acrescenta. Simões fica orgulhoso de acompanhar o crescimento de Ava e vê-la se tornar uma adulta aos poucos. Isso não tira as boas lembranças da infância como o dia em que ficaram colocando nomes nas estrelas, juntos.

“É a minha história misturada à dela”, fala.

Aggeo aconselha que os pais separados devem tentar ao máximo manter em ambos os lares a mesma rotina, dieta e hábitos de lazer para a criança sem haver competição, pois ainda são uma família. “A gente tem que engolir sapos e segurar a onda dos barracos em prol da criança. Vale a pena. Tolerância mil é o lema”, aconselha.

Para o norte-americano crianças são investimento que custa tempo e dinheiro. Parece muito sacrifício, mas Phillipe fala sem hesitar que é o melhor investimento de todos. “Coloque as crianças no primeiro lugar e você vai descobrir uma felicidade que é impossível de explicar”, afirma. Segundo Morgese, a paternidade é um presente de Deus. Ele se sente abençoado de ser professor, guarda-costas, enfermeiro, cozinheiro e treinador da vida.

“Paternidade é maravilhoso se você for homem pra encarar isso”, afirma Lizandro. Para ele, o provedor que pega para passear não é pai, senão dono de cachorro. “Isso qualquer retardado pode fazer, pai tem que botar a cara a tapa”, enfatiza.  Um dia o sobrenome “Solteiro” no blog pode mudar, pois o carioca ainda quer viver um grande amor. No entanto, ele sabe que nada vai substituir o amor que Thomaz tem por ele.

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Aggeo e Ava


How to make a Basic Rope Braid | Dad Hair School | Babble

Phillip e Emma


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Lizandro e Thomaz

Menina Palito nas aulas de Educação Física

Uma breve crônica da minha experiência desastrosa nas quadras do ensino fundamental

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Ilustração de Marcos Chin

As aulas de educação física nunca foram muito prazerosas. A quadra era diretamente embaixo do sol, o que fazia o verão ser insuportável e o inverno dolorido. Eu não era a mais empolgada da classe com os esportes, mas havia alunos realmente interessados em literalmente suar a camisa. Estes eram o meu terror. Handebol, que pesadelo. Vôlei, um desastre cabal. Futebol nem se fala, eu só corria de um lado pro outro fingindo que estava fazendo algo útil para o time. No fim eu sempre era a última a ser escolhida. Não que isso me importasse muito, oras bolas, eu sabia que não era boa com isso. Bem, ainda não sou.

Isso tudo acontece não porque eu seja uma nerd ou coisa do tipo. Apenas um pequeno trauma com ataques de bola de basquete no meu rosto quando era menor. Crianças adoráveis, eu diria. Meu reflexo para bolas ainda é um tanto quanto rápido demais. Sou ligeira em fugir delas, esquivar, desviar! E isso responde as prováveis perguntas do por que alguém seria tão ruim em todos os esportes. Todos. É claro que um agravante para tudo isso foram os “cavalos” das quadras, aqueles empolgados que adoravam jogar bola. Não quero nem falar da tal Cecília, que tinha esse nome doce e meigo, mas eu morria de medo de ver a guria jogando. Sempre implorava para estar no grupo da tal Cecília. Era melhor tê-la como aliada.

Algumas vezes eu tentava dizer “Oh não, que cólica professor!”, e como ele é macho e não entende o drama de uma fêmea sempre acreditava. Mas só dava pra fazer isso uma vez por mês. Selecionava essa desculpa para os dias mais violentos como o massacre de handebol. Francamente Handebol sempre foi e sempre será o pior. Eu tenho até hoje a imagem de Cecília no ar, de pernas, braços e boca abertas com a bola na mão pronta para matar um. Deus que me livre, graças a faculdade não preciso mais disso. Nunca mais, nunca mais.

Acontece que havia um jogo em específico que eu era boa. E sim, tinha bola! Não, não era ping-pong nem alerta. O nome assusta: Caçador. Ah, nunca fui ligada a regras de jogos, não faz sentido porque basicamente é sempre correr atrás da bola. Mas este jogo não, o objetivo era correr da bola. Por isso eu era uma grande campeã! Corria para lá e para cá na quadra, me abaixando como no filme Matrix (ok, não é verdade, mas era tenso da mesma forma) e sempre ficava até o final. Só não era muito bom quando só tinha eu e mais um, assim era difícil esconder o palito que chamava de corpo atrás de outras pessoas. Lembro até hoje de ir de uma extremidade a outra, feliz da vida com a minha mísera e única habilidade esportiva.

Mas um dia abriu uma nova oportunidade na escola: ginástica rítmica. Adivinha só? Tinha bola, mas não era nada violento. Muito pelo contrário, gracioso até. Tinha bambolê e fita. Foi então que comecei a participar de todos os alongamentos, exercícios de flexibilidade e movimentos de dança. Aquela era a melhor memória do ensino fundamental – depois de correr atrás das crianças menores para pegar o lanche delas. Eu odiava rosa, mas aquela legging não ficava tão ruim com o colan preto, as sapatilhas pretas e o coque alto. Eu nunca consegui fazer uma abertura total ou dar estrelinhas como as outras garotas, mas correr dando piruetas e mexendo uma fita colorida sem estar fugindo foi e é uma experiência deliciosíssima.

Conheça a estrela mãe do Rock n Roll

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Era 20 de março, 1915. Vinte anos antes de Elvis Presley e uma década antes de Chuck Berry. Nascia Rosie Etta Atkins em Cotton Plant, Arkansas (EUA), a estrela mãe do rock n roll. Rosetta, como é mais comumente chamada apesar de desconhecida, começou a cantar e tocar guitarra com quatro anos de idade. Katie Bell, sua mãe, era evangelista de uma igreja. Quando pregava dava oportunidade para a filha cantar. Ela era chamada de Pequena Rosetta, um milagre.

A garota era incontestavelmente um gênio, tocava melhor que todos e antes de todos os astros de blues, jazz e rock conhecidos. “Ela realmente merece ser conhecida como Chuck Berry e Ray Charles, e ela foi uma inspiração clara para Elvis e até mesmo Jimi Hendrix”, afirma o dramaturgo roteirista do musical Marie and Rosetta, George Brant. Na verdade, foi ela quem inventou esse ritmo e, por incrível que pareça, com raiz gospel. Rosetta casou-se com um pastor chamado Thomas J. Tharpe, e adotou o nome artístico de “Sister Rosetta Tharpe” (irmã Rosetta Tharpe).

No ano de 1944 ela gravou a música “Strange Things Happening Every Day” (coisas estranhas acontecendo todos os dias, em tradução livre) que é considerada a primeira gravação de rock n roll de toda a história. Etta James regravou a canção em 1960 e Jhonny Cash em 1979. Dos anos 40 aos 60 ela foi a artista mais distintiva do rádio e televisão. Sua música se tornou popular nos EUA nos anos 40, quase 20 anos antes do surgimento oficial do Rock. Tente imaginar uma vovózona negra, com cabelos bem penteados, usando um vestido branco longo e salto alto dedilhando uma guitarra enquanto cantava e dava passinhos para lá e para cá.

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“Quando eu a vi vestida de forma tão recatada tocando uma guitarra branca como Jimmy Page, eu sabia que queria escrever uma peça sobre ela”, declara Brant. A peça teve uma boa repercussão em Nova Iorque no Teatro Atlantic. De acordo com George, a plateia se dividia entre pessoas que já tinham ouvido falar dela (ao menos pelos avós) e a maior parte descobria a irmã pela primeira vez. A guitarra era um instrumento “masculino”, mas a Sister inventou um novo vocabulário de performance do qual muitos homens copiaram.

“Afro-americanas viajando pelo sul sozinhas durante os anos 40 aguentando todo o racismo e as dificuldades que isso implicava, e tudo para seguir seus sonhos e espalhar a alegria que tinham dentro delas”, reflete Brant. Para ele a história de Tharpe é triste, pois falta muito reconhecimento da rainha negra por trás dos reis do rock brancos. “Eu tenho esperança de que ela vai ser introduzida ao Hall da Fama do Rock and Roll aqui em Cleveland em breve”, alega

Gayle Wald é autora da biografia “Grite, Irmã, Grite!: A história não contada da pioneira do rock n roll Sister Rosetta Tharpe” (em tradução livre),  e assim como Brant descobriu Rosetta através de vídeos.  Ela trabalhou no livro por sete anos. “Foi uma corrida contra o tempo pra mim, porque muitas pessoas que conheciam ou trabalhavam com Rosetta eram idosas”, lembra. Ela teve de se debruçar sobre as gravações e histórias orais sobre Tharpe, pois os arquivos escritos eram muito escassos.

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O que mais chama atenção de Gayle na história de Rosetta é a habilidade dela em desafiar as normas da sua época, mesmo que isso tenha a feito impopular. Rosetta conseguia agradar “gregos e troianos” por ser um ritmo nunca antes ouvido, o bom rock n roll com letras religiosas. No entanto para a comunidade cristã os concertos em night clubs eram um escândalo. Ela teve coragem de enfrentar a igreja conservadora questionando sua fé, ao dizer: “Eu vou achar mais pecadores em uma casa noturna do que na igreja”. Rosetta continuou cantando em tours nos Estados Unidos e Europa até o fim de sua vida em 1973, quando tinha 58 anos.

Se todos concordam que Rosetta Tharpe foi primordial para um dos estilos musicais mais queridos, por que ela nunca foi mencionada ou lembrada? Talvez porque ninguém via a mulher negra por trás (ou seria a frente?) do homem branco. Gayle estuda literatura Afro-Americana, músicas populares, teoria da raça e feminismo. Para ela, a história de Rosetta Tharpe é um lembrete em potencial sobre o papel desconhecido da mulher negra da história Americana.

Para ouvir a vovózinha do Rock mais querida que você respeita clique aqui 🙂

Puerpério: o segundo parto

 

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Foto via saltoaltoemamadeiras.com.br

Lia Costa e Emanuely Miranda

Mariana Brito, estudante, descansa em sua cama. Os olhos pesados repousam sobre o berço logo à frente e se desviam do foco apenas para dar uma ou outra espiada na televisão. Mesmo em seu breve momento de lazer, a mãe direciona atenção para a bebê recém-nascida. Clarice dorme serenamente envolta por lençóis rosas, mas nem tudo na rotina de sua família segue no compasso tranquilo de seus sonhos.

A gravidez de Mariana chegou de surpresa, e todos tiveram que se adaptar à nova realidade. Felizmente, ela recebeu apoio dos parentes e amigos. Entretanto, nem toda ajuda recebida foi capaz de amenizar alguns percalços que chegam junto com a maternidade. Fala-se muito sobre as complexidades e cuidados necessários durante os nove meses de gestação. Pouco se sabe que, após as dores do parto e o primeiro choro do bebê, surgem outras adversidades. A gravidez sai de cena e cede palco para o puerpério.

Trata-se do período que decorre desde o parto até o momento em que o corpo da mulher retornará ao estado anterior. “Nessa fase, o organismo materno experimenta modificações fisiológicas e psicológicas expressivas”, declara o ginecologista Rodrigo Zaiden. Claramente os hormônios da mulher não são os mesmos depois de ter gerado uma vida dentro de si. Os 40 dias pós-parto são a fase mais sensível para intensificar manifestações que vão do baby blues (melancolia da maternidade) até a depressão pós-parto. Esses sintomas podem durar dias e ser atribuídos ao stress de quando “a ficha cai”.

De acordo com a psicóloga Maria Coutinho, essa síndrome atinge metade das novas mães, que lá pelo terceiro e quinto dia geralmente têm remissão espontânea. Cuidado com o puerpério nunca é demais, pois é uma etapa de profundas alterações sociais, psicológicas e físicas. Mais instável que TPM. “Demanda a necessidade de um profundo conhecimento desta etapa na vida feminina, um fator essencial na determinação do limiar entre a saúde e a doença”, alerta a doutora.

Para a doula Adelia Segal, o nascimento dos filhos é apenas o começo de uma vida da qual a mulher não terá mais o controle que outrora tinha. O horário de dormir muda (algumas vezes nem acontece) e ir ao banheiro quando sente vontade é um luxo antigo, bem como lavar os cabelos. A receita de um litro de água por dia triplica. Alimentação saudável não é mais uma escolha e assume o caráter de dever. “A privação do sono eu diria que é a questão mais difícil, pois ela agrava todas as outras situações”, opina Adelia em uma espécie de desabafo na posição de quem já passou por isso.

Mariana, mamãe de primeira viagem, comenta sobre outro sofrimento característico do puerpério. Ela sentiu as dores oriundas do aleitamento. “Clarice arrancou um pedaço do meu peito”, revela em tom de espanto. O ginecologista explica que isso ocorre pois as mamas ficam túrgidas e sensíveis. Para evitar as dores sentidas por Mariana e tantas outras mães, ele recomenda uma boa pega. “Assim reduzimos as dores que ocorrem no ato de amamentar e também fomentamos uma produção de leite”, afirma. A mãe precisa observar como seu filho suga para então orquestrá-lo.

Outro fenômeno desconfortável percebido por Mariana foi o fluxo de sangue vaginal. Rodrigo revela a origem desse sangramento. “Uma ferida se forma na região logo que a placenta se separa do útero. A cicatrização ocorre lentamente e por isso observamos a saída de sangue”, esclarece. O médico ainda acrescenta que essa secreção muda com o passar dos dias e adquire aspecto amarelado. Diante das variações físicas que acometem a mulher, seu estado psicológico se abala. O humor de Mariana despencou. “Eu me senti sozinha e minha autoestima ficava lá embaixo. Além disso, pensava em muitas coisas que me deixavam triste”, confessa. Mesmo após dois meses desde que sua filha nasceu, ela ainda não se considera plenamente recuperada. Para ela, o puerpério continua.

Com o objetivo de minorar as dificuldades enfrentadas por Mariana, a doula recomenda um plano pós-parto para determinar quem estará ao lado da mãe. “Essas pessoas devem estar dispostas a ajudar e não julgar. Acolher as decisões e não determinar o que a mulher deve ou não fazer”, realça. Uma mãe bem orientada e acolhida tem grandes chances de ter um puerpério mais suave. A doula, mãe de dois, acredita piamente que rede de apoio é a palavra-chave. Essa rede não é composta apenas por parentes e amigos que auxiliam nas tarefas diária. É preciso estar cercada por profissionais de confiança.

A doula faz uma observação importante: as mulheres acham que elas devem sentir amor incondicional pelo bebê logo nos primeiros dias. Surpresa! Isso nem sempre acontece e foi assim com ela mesma. Para não virar paranoia é bom saber que isso é normal. Adelia gostaria que todas as mulheres soubessem que não precisam dar conta de tudo. “Elas precisam de colo para poder dar colo. Para que elas cuidem dos filhos delas, precisam que alguém cuide delas e as acolha”, diz. Afinal, só podemos dar aquilo que temos.

Segredinho da vida boa

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via amelhoramigadabarbie.blogs.sapo.pt

Estive pensando pra que raios as pessoas se apaixonam hoje em dia. Não que esteja apaixonada, na verdade faz muito tempo que isso não acontece, e por isso mesmo estive pensando pra que raios as pessoas se apaixonam hoje em dia. Realmente aprecio organizar as coisas, mas quando se trata de organizar ideias isso não funciona comigo… Então vamos por partes. O que é, afinal, apaixonar-se? Enamorar-se de alguien, fall in love!

De acordo com os dicionários a definição é ter interesse vivo, empolgar-se por algo, despertar paixão. E o que é paixão? Entre várias respostas, o resumo é “uma espécie de amor efêmero”, que quer dizer passageiro. Mas não faz sentido porque é possível se apaixonar pela mesma coisa constantemente. Ou isso já seria amor? Hmmm, não, amor parece ser algo a mais. Vamos então dizer que é tipo amor, só que diferente deste, pode ter um prazo.

Ok, vamos a alguns exemplos práticos. Eu era apaixonada por um garoto chamado Gabriel Christian (lembro-me ainda do poema mais tosco que escrevi na vida: “Gabriel, seus olhos cor de mel”… estritamente tosco). Isso foi na quarta série. Hoje eu não sou apaixonada por ele. Oras bolas, não cultivei isso. Não me encanta mais. Aliás, Gabriel, se acaso ler isso, não quer dizer que não gosto de você, veja bem… Era muito legal quando você ligava lá em casa. Sucesso aí na sua vida. Bem, fui apaixonada nessa mesa época se não me engano, por aquela novela mexicana RBD. Um pouco depois disso por animes. Fases, fases, muitas fases da vida.

Mããs, existem paixões que nunca morreram. Os livros, a escrita, os desenhos gráficos, as barbas, a família e muitas pessoas – mesmo as que nunca mais vi. Vou ser mais clara. Sou apaixonada por uma amiga chamada Aline Paiva, ela é uma carioca delicinha, boa de cia. Eu vi ela em 2012 e tivemos um intervalo de 4 anos até nos encontrarmos novamente, mas quando me encontrei com ela tinha o mesmo interesse, ainda me empolga.

Pensando nisso, quase chegando a minha conclusão, me acompanhe. Paixão existe sem amor, mas amor não existe sem paixão. E a gente se apaixona por aquilo que nos faz bem. De coisas simples como banhos quentes até uma inspiração em pessoa. Isso parte de gostar, apreciar, primeiramente. Muitas pessoas reclamam por aí (e parecem ser muitas pessoas mesmo, pelo tanto de posts que compartilham nas redes sociais) que sofrem muito por paixões.

Sabe por que isso acontece? Porque elas se esqueceram do mais importante. Apaixonar-se é apreciar, ter interesse e estar empolgado com algo, e isso tem a ver com seus próprios gostos. Quero dizer que a primeira paixão é você mesmo. Quando você se apaixona por si mesmo sabe se apreciar, se empolga com seus gostos e sobretudo se respeita. Aliás, se apaixonando por si mesmo você sabe seu valor. Deixa eu te contar um ultimo segredinho: seu valor é imensurável, é sangue o preço do perdão, do maior amor e maior paixão.

Se você fosse vendedor de alguma loja e quisessem te dar uma pedra de rua por um objeto de dez mil reais, obviamente aquela pessoa sairia de mãos vazias. Então porque quando alguém nos oferece um valor inferior a cruz aceitamos esmolas?

As “mina” no office

A cultura delimita padrões para as pessoas desde quando nascem. Rosa para as meninas, azul para os meninos. As brincadeiras são direcionadas aquilo que provavelmente será seu futuro. Meninas brincam de casinha, “comidinha”, de ser mãe ou professora. Meninos brincam de carrinho, policia e ladrão ou futebol. Por esses motivos e alguns outros desconhecidos, as mulheres foram vistas por muito tempo como sexo frágil ou incapazes de exercer “trabalhos masculinos”. No entanto, elas estão quebrando as regras, arregaçando as mangas e mostrando sua força e capacidade, que não é diferente deles.

Mulheres constroem o futuro 

Renata

Regina, pedreira

 

O Projeto Colher de Pedreira aconteceu em 2010 com o intuito de capacitar mulheres para o trabalho em obras de construção civil. A inciativa do Centro Dandara foi financiada pela Petrobras e acolheu mulheres que desejavam ter a obra como profissão e também aquelas que queriam fazer as próprias reformas em casa. O curso durou três meses e ainda hoje, sete anos depois, existe briga para aceitar as pedreiras no mercado de trabalho.

Regina Celly foi uma das mulheres que participou do projeto. Seu pai trabalhava na construção civil, e desde os nove anos de idade ela o ajudava. Em 2007 fez um curso de diagramação de ferragem, pela Petrobras. “Mas não tinha mercado pra mulher”, declara. Então ela saiu de São José e foi para São Paulo onde ficou três meses trabalhando na obra. Voltou para a sua cidade a fim de fazem um curso de pedreira assentadora, uma qualificação profissional.

Ela conta que a mão de obra feminina é menos valorizada e mesmo sendo mais detalhista, no mercado exigem que seja mais barata. Isso quando uma mulher é escolhida para a construção civil, o que não acontece na maioria das vezes. “Quem me conhece fica comigo mesmo”, afirma, segura da sua competência. Competência essa que nem todos reconhecem, simplesmente por ela ser mulher. Regina conta que certa vez foi entregar um currículo na construção civil, pois estavam precisando de mão de obra. O homem que recebeu seu certificado perguntou se ela era pedreira mesmo e se sabia pegar na colher. “Virava chacota, tive que provar meu potencial, minha capacidade”, relembra a profissional.

Hoje Regina é autônoma, não por escolha, mas porque não conseguiu serviço registrado como pedreira. Ela que faz desde o grosso até o acabamento e já construiu casas, escuta sempre a mesma desculpa: “tem que ter banheiro adaptado pra mulher, uma estrutura voltada pra ela…”. Mas isso nunca a impediu de continuar. A pedreira gosta de ver o chão e tudo que foi feito pelas suas próprias mãos. Ela gostaria que todas as mulheres confiassem na sua capacidade, no seu potencial e nunca duvidassem do seu poder.

“Nós parimos, construímos e dirigimos esse mundo. Nós existimos e somos 52% da população, ainda sento tratadas como minoria”, diz.

Regina afirma que é um trabalho como qualquer outro e que a mulher tem tanta força quanto o homem para tal.

Mulheres dirigem sua própria vida

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Agda Oliver, mecânica e empreendedora

Agda Oliver comprou seu primeiro carro em 2008. Seus amigos lhe disseram que precisava fazer revisão, pois era usado. “Na época achava que carro era só colocar gasolina e pronto!”, conta. Seguindo o conselho dos mesmos, procurou a oficina “mais bonitinha” e pediu para o mecânico dar uma checada. Ele mal olhou para Agda e disse que o carro precisava trocar algumas peças. Pela forma como ele explicava o que estava acontecendo, ela se assustou, achando que seu carro era uma bomba que poderia explodir a qualquer momento com ela dentro.

A até então bancária pagou por volta de 680 reais no serviço que durou apenas uma hora. Na volta para o trabalho quando compartilhou com os amigos como foi no mecânico, eles riram dela. “Me falaram que mulher não levava carro em oficina”, afirma. Com a nota de garantia em mãos, foi alertada de que algumas peças que foram “trocadas” sequer existiam no seu carro. Ficou chateada e resolveu estudar, mas no fim, inesperadamente, se apaixonou. A empreendedora percebeu que era um bom nicho de mercado e dois anos depois de ser enganada, abriu a primeira oficina mecânica do Brasil para mulheres.

Mesmo sendo profissional, declara que já sentiu preconceito e ainda sente. “Há pessoas que chegam na oficina e não querem, não acreditam no nosso trabalho”, revela. A Oficina “Meu Mecânico” tem homens e mulheres atendendo, mas acontece de clientes não se sentirem confortáveis em serem atendidos por uma mulher. “É chato, mas respeito! Aos poucos vamos mostrando que somos capazes e sempre conseguimos reverter a situação”, diz.

Agda ama o que faz. Gosta da máquina e gosta das pessoas, e no seu trabalho consegue ligar as duas coisas. Felizmente tem sido reconhecida em Ceilândia (BSB), onde já ganhou premiações e viagens, além de ter sido entrevistada pela Fátima Bernardes, Roberto Justus, Sabrina Sato, Pequenas Empresas e Grandes Negócios… E a lista continua. “Isso marca e motiva”, comenta alegre. Com essa visibilidade se tornou palestrante e hoje viaja por todo o país contanto sua história e ensinando as mulheres a cuidar do próprio carro. “Isso me realiza como pessoa”, declara.

Lugar de mulher é onde ela quiser

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Naomi, barbeira

Naomi Nishida sempre gostou de cortes de cabelo. Ela já tinha trabalhado como auxiliar de cabeleireiro e seu sonho era ser hairstylist com foco em cortes. Nishida queria desenhar o rosto das pessoas, e acredita que os estilos de cabelo podem fazer isso. “Quando descobri cortes de barba e o quão eles mudam o rosto vi que era com isso que eu queria trabalhar, era isso que eu queria fazer”, declara.  Ela trabalha no Circus Hair em São Paulo, um salão da beleza cuja identidade é alegria, diversidade e encanto. Ao invés de terem mulheres barbadas, o Circus tem as mulheres barbeiras. São quatro meninas que atendem a agenda normalmente como qualquer profissional.

A barbeira conta que não sofre preconceito na área, pois o mercado está abrindo portas.

Mesmo assim, no início o cliente ficava receoso de deixar o corte nas mãos de uma menina jovem. “Mas essa preocupação logo acabava assim que ele olhava o resultado”, diz.

Para ela, apesar dos pesares essa geração dá oportunidade de poder trabalhar, ser e ter o que quiser. “O que mais me marcou no trabalho foi ter o poder de falar e mostrar o que eu sei, sem que os outros subestimem ou dividem do que eu faço”, afirma.

Mulheres não precisam ser donas de casa, se elas quiserem podem construir a sua própria casa. Mulheres não precisam entender de maquiagem e sapato, se quiserem podem entender de carro e empreendedorismo. Mulheres não precisam ser subestimadas, elas sabem o que estão fazendo. Renata, Agda e Naomi são exemplos de que o gênero não delimita os sonhos de alguém. Isso quer dizer que o ser humano é capaz de trabalhar no que desejar, pois o ser humano tem força, vontade e competência de ser o que quiser ser.

A descoberta do Trappist-1 e o que isso tem a ver com a sua vida

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Ilustração via society6.com

Recentemente foi descoberto um novo sistema planetário. A TRAPPIST-1 é uma estrela Anã-vermelha com apenas 8% da massa solar e temperatura em torno de 2500 Kelvin. Isso significa que é cerca da metade da temperatura solar. A estrela anã “superfria” foi observada pela primeira vez nos anos 90. Em 2015 foram observados três planetas orbitando TRAPPIST-1 e desde então as observações continuaram com telescópios na terra e no espaço. Depois mais quatro planetas “entraram na roda”, totalizando sete. São eles: TRAPPIST-1 B, C, D, E, F, G, e H.

O mestre em ensino de astronomia e coordenador de divulgação da ONG “The Planetary Society”, José Roberto de Vasconselos Costa cedeu uma entrevista para explicar a relevância do fato para nós, meros seres humanos, mesmo que isso não envolva algo como Interestelar ou Star Wars.

Lia Costa: Por que as pessoas “comuns” deveriam se importar com a descoberta do novo sistema solar?

José Costa: A palavra planeta significa “errante”, porque constatamos há muito tempo que esses astros se deslocavam todas as noites pelo céu de um jeito diferente. A curiosidade humana nos levou a examiná-los melhor, pouco a pouco. Durante todo esse tempo fomos elaborando mitos, modelos e teorias num esforço de compreender o que se passava.

Num primeiro momento, o que acontece em Trappist-1 não traz nenhum retorno de caráter “prático” para os desafios diários da esmagadora maioria de seres humanos. Mas quando, no século 19, o matemático escocês James Maxwell elaborou equações que relacionavam a eletricidade com o magnetismo também não havia qualquer retorno prático possível para a sociedade daquela época. Hoje, ninguém fala ao celular, vê TV ou acessa à internet sem fio se não fosse por aquelas equações.

LC: Essa descoberta significa que em alguns anos os seres humanos poderão se mudar de planeta ou resgatar recursos como água?

JC: Não. Tecnologicamente estamos muito distantes da possibilidade de fazer viagens interestelares, ou seja, ir de um sol para outro. Enviar, hoje, uma nave não tripulada (portanto mais rápida) para Trappist-1 significaria esperar vários milênios até sua chegada. A empreitada é inviável com a tecnologia atual.

Por outro lado, poderíamos mandar mensagens (sinais de rádio que se deslocam à velocidade da luz) na esperança de que alguma espécie nesses mundos tivesse evoluído ao ponto de captar e decifrar esses sinais. Nesse caso, como o sistema de Trappist-1 está a 40 anos-luz de distância, o sinal levaria “apenas” 40 anos para ir e outros 40 para recebermos a resposta.

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LC: Quais são os próximos estudos necessários sobre o Trappist-1?

JC: Identificar a composição das possíveis atmosferas desses planetas e melhor avaliar as possibilidades de haver vida neles. Trappist-1, pela proximidade, quantidade de planetas e distância da estrela mãe, será um excelente “laboratório” para testar e obter novos conhecimentos em busca da nossa capacidade de detectar mundos habitáveis. Mas é sempre importante mencionar que a intenção da comunidade científica não é enviar naves tripuladas para eles (pelo menos não neste século).

LC: Muitos filmes e quadrinhos falam sobre planetas diferentes e a relação deles com nós, humanos. Na realidade existiriam guerras por esses planetas e a sobrevivência neles?

JC: Difícil saber! O que levaria uma espécie inteligente a invadir outro mundo? De um lado, a escassez de seus recursos naturais poderia ser uma possibilidade. Mas isso também não esgotaria as chances de empreender essa tal viagem bélica pelo espaço?

A julgar por nós mesmos, ir ao espaço é sempre caro e difícil. Só fomos à Lua, por exemplo, quando os meios para isso eram quase ilimitados e havia uma disputa por hegemonia política em curso. Havia motivação e dinheiro. Acredito que tem de haver a mesma coisa para irmos para outros mundos – e “eles” virem para cá.

Não é impossível, é claro. Mas também não deve ser rotineiro, senão já teria acontecido. A Terra tem humanos há poucos milhões de anos, mas é habitada há pelos menos três bilhões. Em alguns momentos, esse planeta foi mais exuberante e mais cheio de vida que agora (por mais incrível que pareça essa afirmação!). Mas nada indica que ele foi conquistado por extraterrestres. A não ser que os extraterrestres sejamos nós mesmos…

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 LC: Há mais algum comentário ou informação sobre o assunto que seja pertinente e eu não tenha perguntado?

JC: Sobre Trappist-1, acho curioso mencionar a idade da estrela: cerca de meio bilhão de anos (em comparação, o Sol tem cerca de 5 bilhões). É muito pouco se considerarmos o tempo que a vida levou aqui na Terra para evoluir até o nosso estágio de “inteligência”. A vida, se existir em alguns dos mundos de Trappist-1, pode ser formada apenas por micróbios!

Por outro lado, é excitante essa época em que vivemos! Há pouco mais de uma década não tínhamos a confirmação da existência de sequer um único planeta fora do Sistema Solar. Hoje eles são milhares – literalmente. E casos como o de Trappist-1 indicam que descobertas espetaculares vão continuar nos surpreendendo.

Gostaria de terminar citando Carl Sagan, que muito influenciou a minha carreira. Em certo momento ele disse:

“Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando para ser encontrada”.

Que bom que somos animais curiosos e que estamos descobrindo lugares e coisas incríveis o tempo todo!

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Grande irmão!

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Foto via smileandup.blogspot.com.br

Alô Alô, Pedro Bial tá lendo isso aqui? Relaxa, não é crítica não, só uma sugestão. Rurum… Vamos lá.

Pensa aqui comigo… Em condições gerais as pessoas que vão para o Big Brother Brasil (por que raios não tem o título em português?) não tem nenhuma deficiência ou dificuldade gigantesca que as impossibilite de trabalhar. Claro, quem somos nós, meros telespectadores seres humanos para julgar alguém? Por isso mesmo eu disse “em condições gerais”. Cá entre nós, quem realmente precisa daqueles papéis coloridos que valem uma nota alta (ou nem tanto assim, porque hoje em dia né…) são outras pessoas. Óbvio, todos precisamos de dinheiro, mas me refiro a um grupo de pessoas específico.

Imagine só um BBB onde as pessoas selecionadas fossem pessoas que são margens da sociedade e não conseguem emprego de jeito nenhum. Ou seja, pessoas que realmente precisam de um empurrãozinho e visibilidade. Oportunidade. Se tirassem os moradores de rua, por exemplo, e colocassem eles lá com banho e comida para conviverem entre si, aprenderem um com o outro e sobretudo ter testes e avaliações para cada um descobrir seu dom, talento e desenvolver isso após o programa quando sair de lá empregado. Além disso, durante a estadia eles podiam ser alfabetizados e tudo mais. Podiam colocar lá as mães que nunca conseguiram voltar para o mercado de trabalho, os anãos, os cadeirantes, os surdos etc e tal. Essas pessoas que são ridiculamente excluídas por suas características.  Aí seria bom sair, porque sairiam os que fossem ser empregados. E não vale serviço escravo, é mudança de vida mesmo!

Não seria ótimo um show de realidade que mostrasse como todos nós somos simplesmente seres humanos, e todos irmãos? Irmãos. Com dois olhos ou um só, com todos os membros do corpo ou com as pernas faltando. Ouvindo a música ao redor com os próprios ouvidos ou com o coração, sendo a mulher versátil que você respeita.

Não seria esse o Grande irmão?

 

Criatividade e simplicidade na arte de Javier Pérez 

  
Bom dia, boa tarde ou boa noite pra você que está aqui nesse cantinho a fim de fazer uma boa leitura. Chega mais, pega um chá, um biscoito e sinta-se em casa! 

Gostaria de compartilhar com vocês a oportunidade e privilégio que tive de receber um giveaway de um dos artistas que mais gosto! Javier Pérez é um designer equatoriano dono de uma mente extremamente criativa e simplicidade cativante. Hoje em dia ele vive em Barcelona, na Espanha. 
  
Para conhecer um pouco mais sobre ele, melhor deixar ele falar! Então fiz uma rápida entrevista para introduzir você a esse artista. 
Lia Costa: A sua primeira exibição individual foi no mesmo ano que nasci. Então parece que você faz arte a tempos! Alguma coisa no seu olhar, mãos ou mente mudou desde então? 

Javier Perez: Desde 2013 estive trabalhando continuamente no meu estilo. Sempre estou buscando a maneira de comunicar de forma mais simples possível. 
LC: Seu trabalho é muito criativo. A simplicidade chama atenção para uma mente brilhante! Quais são suas referências? 

JP: Minhas referências são: Red Hong Yi, Brock Davis e Isidro Ferrer.
LC: o menino com balões de uva foi capa da revista National Geographic. De tudo que você já conquistou, o que mais aprecia? 
JP: O que eu mais gosto é que as pessoas apreciem minhas ideias. Tudo isso me dá motivos para continuar trabalhando cada dia. 
LC: você sempre quis ser um artista? O que da sua infância ainda está no seu trabalho? 
JP: Não me considero um artista, mas desde pequeno sempre gostei de criar. Desenhava constantemente desde criança. Inventava personagens, criava quadrinhos. Tinha uma grande paixão por criar. Mas quando entrei na universidade e comecei a trabalhar, deixei de fazer isso. Estive alguns anos sem desenhar e me sentia triste por ter dado às costas a esse pequeno talento que tinha. Agora estou feliz por fazê-lo todos os dias. 

LC: a arte é expressão de si mesmo. Uma forma de gritar. Olhando sua conta no Instagram ou qualquer galeria, podemos ter uma ideia de quem você é. Mas o que você está gritando para o mundo? O que você mais expressa? 
JP: sim, quando você vê a galeria de um artista pode perceber quais são os seus interesses e medos. Em meus trabalhos pode ver o que me motiva: minha infância, o jogo e a curiosidade pelas formas e objetos. 

  
LC: mais uma coisa… Por que Cinta Scotch? (Risos) 
JP: foi um pseudônimo que inventei para um concurso de conto e poesia que tinha no meu colégio quando tinha uns 14 anos. Queria que fosse um absurdo e fora de contexto. Durante o recreio eles leram os ganhadores na frente de todos os alunos. Eu tinha ficado em segundo lugar e quando leram meu pseudônimo todos riram. Desde então me considero como um “buen augurio”.