A greve dos caminhoneiros e você

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Simpsons prevendo a greve dos caminhoneiros

Como todos sabem, o país está devagar e quase parando com a greve dos caminhoneiros que foi engatilhada em torno óleo diesel (combustível de veículos pesados), pois eles querem que o mesmo seja isento de impostos. Tudo começou em 2016 com os reajustes da Petrobras. Durante esse tempo o dólar subiu em comparação ao real, e o preço da gasolina foi modificado por 12 vezes consecutivas, o que é uma chateação. Se quiser saber mais sobre os impulsos, leia o documento oficial da greve.

Essa greve começou principalmente com os caminhoneiros autônomos, o que quer dizer aqueles que não estão integralmente vinculados com uma empresa. Estes já haviam dito para o governo que fariam uma paralisação geral caso suas reinvindicações não fossem atendidas. Tá, mas que reinvindicações? O que eles querem? Uma listinha de coisas, na verdade: padronização do preço do combustível, isenção de pedágio quando o caminhão está sem carga, redução do valor do óleo diesel, política de preço mínimo de frete, entre outros.

O governo federal por sua vez, fez uma proposta para que a greve fosse suspendida por 15 dias e os representantes de entidades de caminhoneiros aceitaram, mas os autônomos não, então a greve continuou. A Petrobras também entrou na onda e junto com o governo anunciou uma redução temporária no preço do combustível. Mas o preço diminuiu em centavos não muito relevantes para os caminhoneiros, e eles querem documentos oficiais e concretos, portanto decidiram continuar com a greve.

E o que isso tem a ver com você, cidadão? Pois bem, se dissermos que são os caminhoneiros que fazem transporte de cargas, não precisamos ir muito longe no assunto. Isso quer dizer que se o caminhoneiro que transporta pão, por exemplo, decidir ficar parado na rua, o pão não vai chegar no destino final (você viu que faltou pão no McDonals?). E já que tem pouca coisa no mercado e o dono do mercado precisa de dinheiro, o preço sobe pra não ter prejuízo. Tudo fica mais caro (você viu que um saco de batata foi vendido por R$500?). As lanchonetes que decidem manter o precinho normal das coisas, são obrigadas a fechar quando o alimento acabar.

Mas não para por aí!  Se a calça pra uma jovem de 16 anos é mais de R$300, imagine só o caos com os caminhoneiros parados. Pense: tem comida no caminhão. O caminhão está fechado, parado, debaixo do sol… É, pode ser que muita comida estrague. A gasolina aumentou, os ônibus públicos diminuíram as viagens por dia, aeroportos estão parando, bem como os correios, frete; os metrôs estão (ainda mais) lotados… Tem até shows, trabalhos e aulas sendo suspensas. Cara, tá rolando até transplante de órgão não realizado e falta de medicamentos em hospitais, o que nos faz pensar no prejuízo causado a inocentes (em níveis maiores, porque o governo já não tinha planos muito promissores para saúde e educação).

De fato, quem era bem de vida agora está sentindo um pouco da escassez, mas imagina quem já era escasso antes? Não tá fácil pra ninguém.

No desespero os brasileiros fizeram filas imensas nos postos de gasolinas e foram aos mercados comprar comida pra não faltar. Mas isso só piora a situação. Como assim? Vamos supor que o preço do feijão aumentou. Brazuca come feijão todo dia praticamente, não dá pra ficar sem! Então ele vai lá e compra mais caro. Isso não é a melhor saída, porque se ele decidisse não comprar mais feijão, o preço teria que diminuir obrigatoriamente – do contrário sacos e sacos iam ficar lá apodrecendo nas prateleiras e ia gerar prejuízo, entende? Mas no menor sinal de tensão a gente já tá pedindo arrego.

Óbvio, como já estamos conversando ao longo do texto, o caô vai além de comida… Mas sinceramente não sei o que dizer sobre a greve. Todos os brazucas deveriam participar? Os caminhoneiros estão sendo inconsequentes em algum nível? Precisa haver um diálogo mais realista entre os caminhoneiros e o governo…? Porque essas mudanças todas envolvem questões econômicas que não mudam rapidamente. Enquanto isso o país todo sofre consequências? Alguém pode ajudar?

São muitas questões que pelo menos me fazem pensar sobre a nossa cultura brazuca. Frases como “entra, mas não repara a bagunça” mostram como está enraizado no brasileiro varrer sujeira pra debaixo do tapete. Tá tudo bem, “tá dando pra aguentar” naquele jeitinho brasileiro. Acredito que seja extremamente válido os caminhoneiros estarem nas ruas mostrando como o nossos sistema é frágil e como nós somos frágeis, porque faz apenas uma semana [até dado momento] que eles estão lá. E olha o rebuliço.

Não tenho nenhuma conclusão palpável ainda sobre o assunto. É extremamente delicado porque temos o lado dos caminhoneiros, do governo, dos mercadores e da massa. A gente se preocupa muito com o que está nos afetando, mas se não tivesse nos afetado talvez não iriamos nunca parar pra pensar em certos assuntos muito importantes.

Por enquanto, me despeço com uma música maravilhosa do poeta João Alexandre: “Pra cima Brasil

 

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O que querem os caminhoneiros em greve

Perguntas e respostas sobre a greve dos caminhoneiros 

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