Anne com “E”

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Olá! Acomode-se no seu assento, pega uma xícara de chá que temos muita coisa pra falar aqui.

Quem me conhece sabe que não sou uma grande fã de Netflix and chill porque odeio ficar sentada parada por muito tempo (sem estar produzindo algo). Mas, um fenômeno sobrenatural aconteceu quando conheci Anne. Anne Shirley. A ruiva me fez virar a noite para terminar de ver os míseros oito episódios da primeira temporada. E nas próximas linhas explico o que ela tem de tão maneiro.

Para começar a série veio de um livro. Uns livros, na verdade. São quatro, totalizando mais de mil e seiscentas páginas. Inclusive meu aniversário é em setembro e até lá você consegue fazer suaves prestações do box para mim. O romance foi escrito por Lucy Maud Montgomery e publicado em 1908. Na época foi lançado como um livro para todas as idades, mas hoje em dia dizem que é infantil. Particularmente, eu acho que os assuntos tratados no enredo são muito importantes para se restringir ao púbico infantil. E na verdade são assuntos bem adultos.

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o livro ❤

O livro ganhou 21 adaptações, sendo a primeira delas um filme mudo em 1919 dirigido por William Desmond que é considerado um longa perdido. Ganhou um musical em 1956 e animação em 2005. A primeira série foi feita em 1952 pela BBC. A adaptação mais famosa é de 1985 com o drama canadense de mesmo título do livro. São 3h19m de duração pela direção de Kevin Sullivan. E agora a mais nova versão que saiu esse ano, “Annie with an E”, a série da CBC/Netflix ( que você pode ver o TRAILER AQUI)

Beleza, vamos ao que interessa: por que essa história é tão importante?

Temos aqui assuntos polêmicos, necessários e (infelizmente) atuais. Pois é, sociedade, a luta continua. Olha a listinha:

  1. Adoção ❤
  2. Trabalho/abuso infantil
  3. Preconceito/Bullying
  4. Feminismo/sexismo
  5. Crítica aos padrões da sociedade em relação a beleza, gênero e educação.
  6. Crítica a hipocrisia e intolerância da igreja
  7. Crítica a “forminha” de ser humano

Algumas dessas coisas ficam claras já nas primeiras cenas do primeiro episódio (que tem mais de 1h de duração). Eu não vou falar tudo e dar spoilers porque 1)provavelmente você não gosta de spoilers, 2) você provavelmente não quer ler muito porque tem preguiça e 3) eu quero muito que você assista a minha série favorita 🙂

Estamos falando da época que eletricidade era coisa de gente podre de rica. Muito muito tempo atrás. Não consigo nem imaginar isso. Nessa época tão tão distante encontramos Anne Shirley, uma garotinha excepcional. Daquelas que falam “pelos cotovelos”. Mas diferente do que você pode estar imaginando, ela não fica falando besteiras. Anne gosta de criar histórias, de usar a imaginação. Aliás, Anne adora ler e usar as palavras grandes dos livros no seu vocabulário. Ela ama as flores, as árvores, a natureza em sua essência! E ela é simplesmente adorável. Anne tem um poço de criatividade vindo de um rio de imaginação, o que é ótimo. Mas na maioria das vezes ela usa isso para fugir da sua triste realidade.

Quando Matthew Cuthbert chega para buscar o garoto que adotou de um lar, não encontra ninguém na estação de trem senão uma garotinha ruiva com cabelos devidamente trançados. Calmo que só, o senhor não consegue dizer nada para a menina (até porque ela não para de falar). Anne está felicíssima de ter um lar, depois de ter trabalhado por anos como doméstica sendo terrivelmente maltratada. Durante todo o percurso ela fala sobre a beleza do lugar, sobre os livros que gosta de ler… E durante o percurso todo ela fica se beliscando para ter certeza de que não é um sonho.

Mas chegando na casa dos Cuthbert, a irmã de Matthew, Marilla, diz que Anne precisa voltar para o orfanato porque eles pediram um menino e não uma menina. Queriam alguém que pudesse ajudar na fazenda, coisa que uma garota – obviamente – não podia fazer. Anne fica arrasada, em choque, se sentindo mais rejeitada do que nunca e chora muito em pensar que terá que ir embora de Green Gables e daquela casa adorável.

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Ok, minha crítica começa aqui. Quando estamos falando de adoção o assunto é muito sério. Anne já tinha vivido muita coisa para uma criança da idade dela, sofrido demais, e quando finalmente encontra um lar, vem aquele balde de água fria transbordando rejeição. Por isso o processo burocrático é tão chato e tão importante. Especialmente porque, durante a série toda, quando tem alguma situação que a deixa triste ou com raiva, ela simplesmente chora e corre. O que mostra que ela não tem um grande leque de solução de problemas, que quer dizer que ela não tem inteligência emocional ou maturidade psicológica. Adivinha por que? Porque isso se constrói em casa e Anne nunca teve uma casa.

Em um surto de querer ser aceita, ela diz que pode fazer as coisas dentro da casa e questiona o motivo de as meninas serem mais limitadas do que os meninos. Isso é um assunto que a série toca muito  em todos os episódios. Então além de um alerta para não só adoção, mas educação dos filhos, também entramos em contato com a importância do feminismo. Mas por enquanto vou falar somente do primeiro episódio para não dar spoilers. Acontece que eles tem uma vizinha muito chata, que nem me lembro o nome, mas a mulher não gosta da ideia de adoção e muito menos de órfão – não diferente de todas as outras pessoas da série com exceção é claro dos Cuthbert. E quando ela vê Anne já vai reclamando de que se a adotaram não foi pela aparência porque ela é muito magra, muito sardenta e tem um cabelo vermelho horrível. Anne dá um surto e fala poucas e boas para a mulher antes de sair correndo e chorando.

Isso não contribuiu de forma alguma para que a dona Marilla insistisse em ficar com ela. Inclusive Marilla levou Anne até uma mulher lá querendo devolver (meu Deus, que coisa mais absurda, como se fosse mercadoria) ou trocar Anne por um garoto. Daí a mulher disse que não tinha meninos, mas que Anne podia ficar como doméstica de um lar ali perto. Só que Marilla não gostou da casa da dita cuja cheia de filhos, brava que só, e teve um pouco de piedade deixando Anne voltar e dando a ela um prazo de cinco dias para se adaptar com os Cuthbert. E, felizmente, Matthew ajudou Anne a esfriar a cabeça e pedir desculpas para a tal da vizinha sem educação. E depois…

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Nem acabei de falar do primeiro episódio maaaaas… Eu te obrigo neste momento a abrir a sua conta do Netflix ou pedir pro amiguinho emprestar a dele e assista. A fotografia é incrível, a trilha sonora sensacional e o enredo excepcionalmente fabuloso demais da conta. Quem sabe em breve eu volto para falar mais sobre cada um desses pontos…? Quero ver de novo. Beijos, fui.

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não falei dele mas você QUER conhecer ele também… Mwahahha

 

 

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