Menina Palito nas aulas de Educação Física

Uma breve crônica da minha experiência desastrosa nas quadras do ensino fundamental

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Ilustração de Marcos Chin

As aulas de educação física nunca foram muito prazerosas. A quadra era diretamente embaixo do sol, o que fazia o verão ser insuportável e o inverno dolorido. Eu não era a mais empolgada da classe com os esportes, mas havia alunos realmente interessados em literalmente suar a camisa. Estes eram o meu terror. Handebol, que pesadelo. Vôlei, um desastre cabal. Futebol nem se fala, eu só corria de um lado pro outro fingindo que estava fazendo algo útil para o time. No fim eu sempre era a última a ser escolhida. Não que isso me importasse muito, oras bolas, eu sabia que não era boa com isso. Bem, ainda não sou.

Isso tudo acontece não porque eu seja uma nerd ou coisa do tipo. Apenas um pequeno trauma com ataques de bola de basquete no meu rosto quando era menor. Crianças adoráveis, eu diria. Meu reflexo para bolas ainda é um tanto quanto rápido demais. Sou ligeira em fugir delas, esquivar, desviar! E isso responde as prováveis perguntas do por que alguém seria tão ruim em todos os esportes. Todos. É claro que um agravante para tudo isso foram os “cavalos” das quadras, aqueles empolgados que adoravam jogar bola. Não quero nem falar da tal Cecília, que tinha esse nome doce e meigo, mas eu morria de medo de ver a guria jogando. Sempre implorava para estar no grupo da tal Cecília. Era melhor tê-la como aliada.

Algumas vezes eu tentava dizer “Oh não, que cólica professor!”, e como ele é macho e não entende o drama de uma fêmea sempre acreditava. Mas só dava pra fazer isso uma vez por mês. Selecionava essa desculpa para os dias mais violentos como o massacre de handebol. Francamente Handebol sempre foi e sempre será o pior. Eu tenho até hoje a imagem de Cecília no ar, de pernas, braços e boca abertas com a bola na mão pronta para matar um. Deus que me livre, graças a faculdade não preciso mais disso. Nunca mais, nunca mais.

Acontece que havia um jogo em específico que eu era boa. E sim, tinha bola! Não, não era ping-pong nem alerta. O nome assusta: Caçador. Ah, nunca fui ligada a regras de jogos, não faz sentido porque basicamente é sempre correr atrás da bola. Mas este jogo não, o objetivo era correr da bola. Por isso eu era uma grande campeã! Corria para lá e para cá na quadra, me abaixando como no filme Matrix (ok, não é verdade, mas era tenso da mesma forma) e sempre ficava até o final. Só não era muito bom quando só tinha eu e mais um, assim era difícil esconder o palito que chamava de corpo atrás de outras pessoas. Lembro até hoje de ir de uma extremidade a outra, feliz da vida com a minha mísera e única habilidade esportiva.

Mas um dia abriu uma nova oportunidade na escola: ginástica rítmica. Adivinha só? Tinha bola, mas não era nada violento. Muito pelo contrário, gracioso até. Tinha bambolê e fita. Foi então que comecei a participar de todos os alongamentos, exercícios de flexibilidade e movimentos de dança. Aquela era a melhor memória do ensino fundamental – depois de correr atrás das crianças menores para pegar o lanche delas. Eu odiava rosa, mas aquela legging não ficava tão ruim com o colan preto, as sapatilhas pretas e o coque alto. Eu nunca consegui fazer uma abertura total ou dar estrelinhas como as outras garotas, mas correr dando piruetas e mexendo uma fita colorida sem estar fugindo foi e é uma experiência deliciosíssima.

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3 comentários sobre “Menina Palito nas aulas de Educação Física

  1. Massa Lia! Realmente as aulas de Educação Física poderiam ter um viés mais educativo com jogos em equipe, mas muitos dos professores se quer pretendem ensinar alguma coisa, estão ali mais para entreter, salvas raras exceções, como um professor que tive a honra de ter, ele sim ensinava, não usava a Educação Física como entretenimento, mas como educação mesmo!

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  2. Eu tive fases muito boas e muito ruins na educação física. Mas para mim era um drama, a ansiedade por ser escolhida, tentar ser melhor para ser menos excluída da sala, o drama do óculos (quebrei 2 jogando). Eu amei ter ginástica rítmica e artística na escola!

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