“A escola precisa mudar”

Estamos em uma era tecnológica. As pessoas estão mudando de mentalidade e assim, a sociedade futuramente vai ser muito diferente. Se para melhor ou pior, há controvérsias. Os mais afetados com essa realidade são as crianças, adolescentes e jovens estudantes. A psicopedagoga Daniella Carvalho Kiss (33) é brasileira, mas atualmente mora em Orlando a fim de aprender o inglês e iniciar seu mestrado.  Ela faz parte do grupo de pessoas que acredita no poder da tecnologia para o bem do futuro da sociedade. Mas para isso, as redes de ensino precisam acompanhar a mudança dos alunos.

Lia Costa: Como mãe, você observa o desenvolvimento acadêmico dos seus filhos. O uso da tecnologia hoje afeta essa área?

Daniella Kiss: Sim, e muito. Mas o tempo de aprendizagem é diferente para cada criança, pois somos diferentes. É incrível ver como eles aprendem com alegria. O uso da tecnologia ajuda muito no desenvolvimento, pois o acesso nos permite conhecer muito mais coisa do que antes. O problema é justamente esse excesso de informação que ainda não sabemos como usar.

LC: Como usar os recursos tecnológicos de forma benéfica?

DK: Hoje a informação está a nossa disposição, mas há um excesso de informações erradas e por isso devemos sempre consultar várias fontes, vários pontos de vista. No caso de uma criança ela não tem um crivo suficiente para entender se aquilo que ela está vendo é benéfico, ela assiste ou joga o que lhe dá prazer. Cabe, então, aos pais a escolha de utilizar essa ferramenta a seu favor. Dando limites de uso e procurando atividades benéficas para a aprendizagem em horas de lazer, e por que não jogos e atividades relaxantes?

LC: Tem um tempo em média para algum estudante navegar sem prejudicar os estudos?

DK: Ai que está a questão, por que ele não pode navegar estudando? Estamos em uma geração tecnológica. O estudo deve ser prazeroso, deve ter significado, um aluno poderá passar horas no computador pesquisando algo. Cada pessoa se desenvolve de formas diferentes. Eu só estudo com música, outros só no silêncio. As pessoas são diferentes e devem ser respeitadas em sua individualidade.  Mas tudo que é em excesso faz mal, para tudo existe um limite.

LC: O uso contínuo da internet tem que tipo de implicações no corpo?

DK: O excesso da tecnologia além de nos tirar da vida real muitas vezes também atrapalha no sono, visão… Muito tempo no computador pode causar dores de cabeça, rigidez no pescoço, dor nas costas, dor nos punhos e olhos secos. Segundo alguns especialistas, a pessoa que fizer uma pausa para relaxamento a cada 50 ou 60 minutos pode ter esses problemas prevenidos. Aliás, o excesso também causa a síndrome do pensamento acelerado.

LC: Como você acredita que serão os profissionais do futuro, olhando para a leva de estudantes atualmente?

DK: Teremos um grande problema com os profissionais do futuro. As empresas hoje querem funcionários criativos, o ponto forte do trabalhador do futuro é a criatividade. Mas no currículo com só uma aula de artes não faremos alunos criativos. Deve haver troca de saberes, estímulo da criatividade. Hoje temos acesso a tudo, globalização pura. A escola precisa mudar. Não estou falando que as regras não são importantes, elas são, porque formam melhor convivência com nossos pares. As pessoas mudaram, devemos mudar também a nossa forma de ensino.

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