Ferdinando: o touro que me fez chorar

4060169

imagem via adorocinema.com

O senso comum já diz que touros não são amigáveis, nem carinhosos e gostam muito de um fight! Porém… Ferdinando é diferente. Ele ainda é um bezerro, mas tem personalidade forte. Não gosta nadinha de violência, não tem medo de expressar seus sentimentos e ama flores! Como todo ser diferente nessa terra, ele não é encorajado a ser como é e dizem que quando ele crescer, vai certamente mudar de opinião.

Inclusive ele teve uma conversa sobre isso com seu pai, antes de ele ir a Madrid em uma tourada (o velho pão e circo). O plano era que o grandão voltasse até a noite, depois da luta. No entanto… Isso não aconteceu. Revoltado com a miséria do lugar onde vivia e a conformação dos touros a sua volta, Ferdinando decide fugir de “La casa del toro”. Ele pega um trem para sabe-se-lá-onde-vai e acaba chegando em uma fazenda infestada de flores! Lá ele conhece uma garotinha chamada Nina que mora com seu pai e um cachorro pouquíssimo empolgado com as coisas da vida – porém feliz. Sério.

mn_jlwfqferdinando

imagem via diário do aço

Mas como nem tudo são flores… SEM SPOILERS! Na moral, da uma olhada nesse trailer aqui, Brasil ❤

Ok, agora que você já está por dentro da história, vamos a algumas brisas e observações sobre a animação:

Em uma pesquisa rápida no Google achei uma versão de 1938 em curta metragem que é bem diferente da adaptação mais atual, onde a mãe de Ferdinando não aparece e não é tão passível, por exemplo. Mas vale a pena conferir porque é bastante poética e a moral é a mesma embora não seja tão profunda. Também tem um livro do mesmo ano, escrito por Munro Leaf, e estou aceitando viu? Quanto ao filme desse ano, ele foi fiel ao curta em desenhar o lugar favorito de Ferdinando: a sombra de uma árvore frondosa, no alto de uma colina com flores.

ferdinando01

imagem final do curta

Estou MUITO orgulhosa de que a direção dessa belezinha seja de Carlos Saldanha, um brazuca meu povo! A trilha sonora de John Powel também está sensacional, tem algumas cenas de dança e música (como na maioria dos filmes infantis) e são super divertidas. Embora seja tudo bem lindo, o que me fez chorar de rolar lágrimas mesmo no meio do cinema cheio de criança, foram algumas lições muito importantes.

  1. Fugir de falácias: Touros lutam. Ferdinando não luta. Ferdinando não é touro. Para clarear mais ainda, Homens têm que ser fortes. Lucas não é forte. Lucas não é homem. Entende? Ferdinando não deixou de ser touro por preferir flores a lutas. Inclusive a bondade dele e a sua negação a violência, fazem dele o melhor touro de todos. Ele é o mais forte de todos, porque ele sabe que força não é músculo. Então me emocionei de ver como uma animação está desconstruindo essa coisa machista que fere o próprio homem e consequentemente as pessoas ao seu redor.
  2. Mais amor, por favor: Embora seja o maior e mais forte, Ferdinando prefere ser machucado a machucar alguém. Ele sempre (SEMPRE) pensa no próximo antes de pensar em si mesmo, tem um senso de bondade, compaixão e misericórdia enormes além de ver os outros como superiores a si mesmo. Isso é cristianismo puro. Ferdinando nunca levantou a voz ou o casco para alguém com intenção de violentar alguém verbal ou fisicamente, e quando fazem isso com ele, ele não revida, mas permanece em humildade. Sensacional.
  3. Precisamos uns dos outros: Dentro do lugar onde os touros ficam, todos eles brigam o tempo todo, ninguém gosta de ninguém e assim vai. Mas Ferdinando consegue com sua mansidão e tato, abrir os olhos dos animais para o que realmente importa, que não é vencer uma luta e nem ser o mais forte na frente das pessoas, mas ser bom de briga quando o assunto é “fazer o bem sem olhar a quem”.
  4. Não as touradas (ALERTA SPOILER): Particularmente eu não sabia como tudo funcionava nos bastidores de uma tourada. A animação mostra todo o estresse que o animal passa, como ele é machucado sem necessidade alguma na arena, e o que acontece com os perdedores… Como vegetariana rumo ao veganismo, isso foi bastante impactante porque no momento em que Ferdinando vai salvar o Guapo e o Valente do abatedouro, eles passam por todas as etapas que a carne passa. Mesmo que isso tudo tenha acontecido de forma descontraída, porque eles estavam em uma corrida ansiosa e hilária para fugir das máquinas do abatedouro, foi… Assustador. No filme, eles apresentam dois caminhos para os touros de arena: ou morrer na arena, ou morrer no abatedouro. Sinceramente não acho nenhuma das duas opções sequer viáveis, porque ambas envolvem injustiça e sofrimento. Felizmente na cena final, quando Ferdinando decide não lutar contra “El primero” e este vai em frente para matá-lo, as pessoas da arena começam a gritar para deixar ele vivo, e isso acontece. Inclusive a atitude do toureiro foi muito humilde também, porque era uma luta épica para ele. Enfim, foi lindo, chorei muito. (FIM DOS SPOILERS). 
touro-ferdinando-01

imagem via VideoGame Mais

Ok, eu SEMPRE choro em animações, mas é porque elas são realmente sensíveis e falam de coisas que importam de verdade, me emociona demais… Só tenho uma observação de ponto negativo que na verdade é algo bastante subjetivo. Amo de paixão as dublagens de desenho animado, a galera sempre manda muito bem na tradução e interpretação pra trazer expressões e referências bem brasileiras etc e tal. PORÉM, em Ferdinando eu senti falta de um pequeno toque.

A dublagem podia ter valorizado mais o nome dos personagens no espanhol e algumas expressões que foram faladas ao longo da animação, visto que a trama toda acontece na Espanha. Então eu acho que assistiria de novo em espanhol só pra ter um gostinho mais profundo, porque senti falta desse lance mais cultural – seria isso um preconceito, Brasil? HAHA! Isso não desmerece o filme de maneira alguma.

Então corra ao cinema, porque esse filme vale muito a pena investir uma graninha, ou espere até ser lançado em alguma streaming. Nada de pirataria ok? Leitores do LAE não aderem a pirataria!

TchTchTchTchau!

Anúncios

Receita de Pão VEGAN + Patê de TOFU e snacks

IMG_6779

Oi Oi galerinha do bem! Como vocês estão? Estou entrando em uma nova fase da minha vida depois de assistir os documentários Cowspiracy e What The Health (ambos disponíveis na Netflix). Isso tudo foi na mesma época em que conheci o simpaticíssimo chef Ricardo Fioravanti, mais conhecido como Bambu Chuveroso, que tem um espaço de receitas naturais na revista Vida e Saúde.

Praticamente sem querer eu fui em um workshop dele – e foi sem querer mesmo, porque era pago e eu não tinha levado um centavo HAHA! – e depois de experimentar as coisinhas gostosas que ele faz e ver como não é difícil ter uma alimentação vegana, decidi me aventurar. Eu sou péssima em cozinhar, quem me conhece sabe muito bem disso. Então, se eusinha consegui fazer esse pão, você também consegue! Ok, eu tive uma mãosinha da minha avó, que além de ser avó é mineira, mas meti a mão na massa (literalmente hehe).

Sobre o veganismo em si, isso é um assunto para outro post, especialmente porque ainda estou lendo e me informando sobre, além de ser extenso e em alguns aspectos até polêmico. Mas, enquanto isso, vamos ao que interessa!! A receita de um pão vegano delicioso ❤ Essa receita eu aprendi com o Ricardo lá no Workshop dele, bora lá, pegue a caneta e o papel para anotar tim tim por tim tim.

Ingredientes:

300g* de farinha de trigo integral

300g de farinha de trigo branca

2 colheres de sopa de fermento instantâneo seco

Meia xícara de óleo vegetal

400ml de água

1 colher de sopa rasa de sal

Ingredientes extras da Lia:

meia xícara (chá) de chia

meia xícara (chá) de semente de girassol descascada

meia xícara (chá) de linhaça

 

  • OBS: como sou ruim em cozinha e em matemática, não fazia a menor ideia do que era “300 gramas” HAHA! Mas se você também é novato/noob como eu, isso dá mais ou menos duas xícaras e meia (chá).
  • OBS 2: não coloque as sementes inteiras não, coloca elas em um mixer e tritura sabe? Fica melhor.

 

Modo de preparo:

Coloque 5 colheres de cada uma das farinhas numa tigela funda, seguidas do fermento seco e sal.

Mexa bem até ficar tudo igualzinho.

Coloque os 400ml de água, bata bem por uns 5 minutos (eu bati na mão mesmo), dissolvendo bem as farinhas. Até aqui, sua massa parece um creme espesso. Neste momento coloque o óleo e misture mais (quem precisa de academia quando se tem pãezinhos caseiros para fazer?).

Em seguida, adicione as farinhas em quantidades iguais, uma colher de cada, amassando muito bem até a massa incorporar tudo. Foi neste momento também que eu coloquei os grãos trituradinhos.

AVISO: nunca colocar as farinhas todas de uma vez só. 

Vai demorar, mas vai chegar o momento em que você percebe que a massa não está mais grudando na tigela, não está tão pegajosa na sua mão e não tem grumos de farinha no meio dela. Esse é o ideal. Se não está assim, talvez você esqueceu de algum ingrediente (como eu HAHA! no meu caso foi o óleo, mas aí eu coloquei nesse momento mesmo e deu boa). Dá uma última amassada vigorosa, com gosto mesmo, como se fosse aquele bebê ou cachorrinho que você sempre quis ficar amassando (quÊ).

Agora separe essa massa em bolinhas iguais, ou em qualquer outro formato que você queira. Pode ser um coração, por que não? Daí quando você separar essas bolinhas amassa elas individualmente e tal, daí coloca em uma forma (untada) para crescer. Deixa a massa em um lugar coberto, onde não pegue vento, por no mínimo 1 hora e meia. Depois assa até ficar moreninho (o cheirinho já vai invadindo a casa… hmmmmm), isso demora uns 40 minutos dependendo do forno. Voilá!

FullSizeRender (5)

E agora que você tem seu pãozinho vegano lindo, cheiroso e gostoso você vai passar margarina nele? NÃO! Separa mais dois minutinhos para uma receita super rápida, prática e fácil (essa eu fiz sozinha sem ajuda da vovózinha):

[DESCULPA PERDI A FOTO, quem segue lá no insta @cs_lia já viu, quem não viu, perdeu. Brincadeira]

pate-2

fotinho lá no site do bambuchuveroso.com.br

PATÊ DE TOFU

Ingredientes:

Tofu

Qualquer coisa que você quer que seja seu patê. É. Pode ser azeitona, pode ser milho, pode ser tomate seco… Avonts.

Comofaz:

A mesma porção de tofu que você usar, vai ser a mesma porção de azeitona, por exemplo. Pode bater no liquidificador (fica mais liso) ou no mixer (mais grosseiro, como eu prefiro). Se quiser pode temperar, mas no caso da azeitona não precisa.

E pronto ❤

Para essas e mais receitas, acesse o site do Bambu Chuveroso e mão na massa! Se você gostou e quer ver mais receitinhas aqui no blog, deixa seu comentário, fala comigo, eu sou um ser sociável e mordo só de vez em sempre 😉

Para encerrar, gostaria de compartilhar alguns snacks que eu encontrei nas minhas viagens CTBA-SP-MG-CTBA. Obviamente como é em um posto rodoviário foi um pouco carinho, mas valeu a pena porque tudo que eu como em viagem me faz mal (porque não como carne faz tempo e evito fritura e gordura ao máááximo, mas só vendem isso nos postos…), e esses snacks foram ótimos, fiquei tranquilinha!

esse chocolate é bem amargo, e eu que não estou acostumada estranhei, mas não é ruim. Eles tem outros sabores que estou loooouca pra experimentar!

Nem os snack veganos se safam do saco de ar… mas ok. Eles são muito muito muito gostosos e nada gordurosos. Eu vi algo assim no Pinterest para fazer em casa, acho que vou testar em breve. Vamos?

Esse pacote de biscoitos foi surpreendentemente bom! A cara dele não é das melhores, não é igual a da foto não HAHA mas é MUITO bom. Doce do jeitinho que a Lia gosta ^^ Então pronto, é isso, já falei demais!

Até mais! Fuuuuuui

O guri que era dono da rua

3608d4418a8d5562d3da4eb5a226a7cf

Foto via BETTYS.COM.BR

O menino aproveita a grama verdinha com os pés descalços. Aproveita para sentar, meter a mão nas folhas que miraculosamente brotam do chão. Arranca algumas, erguendo ao sol e se perguntando se aquilo seria comestível. Quer dizer, deve ser afinal, já que as vacas comem aquilo e são grandes – mesmo que as pessoas que comem as vacas não sejam tão grandes. Pelo menos é o que ouviu os passantes dizerem por aí.

Já estava levando a planta lavada somente pelo orvalho até a boca quando a mãe lhe dá um tapa no peito da mão para que soltasse  a grama. Ele não resmunga, como costumava fazer. Olha para cima e vê contra o sol a silhueta da mulher forte. Ela está com as mãos na cintura como se fosse uma xicara, o que o fazia desejar uma xícara de café acompanhada com biscoitos ou quem sabe um sanduíche de presunto…

Mas eles não tinham onde guardar comidas. Não porque as estantes da casa estivessem lotadas ou a geladeira farta. Até porque eles não tinham estantes nem geladeira. Não porque não quisessem, mas porque eles não tinham onde colocar móveis. Mas os móveis tão pouco importavam, não tinham uma casa para proteger a si mesmos. A segurança também não era tão grande quanto a fome que o guri sentia. O guri também não tinha voz, mas mesmo que ninguém o ouvisse, se punha a cantarolar para si mesmo:

Era uma casa muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

A mãe lhe estendeu os chinelos, para que ele vestisse. “Não quero saber de ninguém doente, tá ouvindo?”, disse ela rispidamente. Em seguida lhe entregou uma caixa de balinhas de goma. Você deve pensar que ela era uma mãe muito irresponsável por manda-lo comer balinhas de goma no almoço. Mas na verdade ele iria vender aquelas balinhas de goma para poder ter uma refeição qualquer. Não conseguiram um desjejum naquela manhã.

Lá se vai o menino, chinelo maior que os pés, com prego em baixo. O barulho o fazia brincar de sapatear, mas só até o mulherão aparecer lhe pedindo que brincasse depois. A camisa surrada era do irmão mais velho, que agora estava em uma clínica de reabilitação. Mas o menininho, que cresceu ali, não achava muito interessante estar preso por paredes. Dizia para todos em um português escasso que sua casa era a maior casa de todas. Ia da rua tal até tantas quadras pra frente! E embora lhe oferecessem comida, sua mãe o ensinou a aceitar somente dinheiro (a menos que ela visse a comida sendo comprada ). “São estranhos, você não sabe o que estão te servindo. Traga para mim e nós vamos juntos comer algo que sabemos de onde vem”, repetia a dona. Tinha medo.

Com o olhar da mãe em cima dele, o menino andava para lá e para cá, pegando moedinhas e colocando no bolso, que agora se tornou uma espécie de instrumento. Ele batia na perna e elas faziam barulho. Prego e moeda, assovios. Encasquetou que queria ser rapper e cantar sobre suas coisas. Via poesia em tudo. E se ele cantasse na esquina como algumas pessoas faziam? Afinal, a esquina é dele também. O asfalto dos carros é dele, bem como o concreto onde as lojinhas estavam ocupando espaço. Não só isso, a grama que ele não podia comer, o sol que queimava seus cabelos e a comida que não lhe ofereciam. Também a chuva que molhava sua manta preferida e única. Ninguém pode dizer que não, o menino é um cidadão. E ele não poderia? Não poderia viver?  Porque os outros mereciam ter suas necessidades básicas supridas?

Por que não ele?

Talvez não estivessem pensando com carinho no fato de que estavam matando a infância de um garoto. “Isso é coisa do governo”, você deve pensar. Oras bolas, e quem monta o governo são alienígenas? Não, é a própria gente. Quem vota é a própria gente. Quem tem que reclamar é a própria gente. Mas, bem, as pessoas tem mais “estimação” por animais. Talvez sejam mesmo alienígenas.

Mas o menino acredita na coragem, na ousadia e na mudança. E quem pode dizer que ele está sendo inocente demais? Do contrário, vai se continuar inibindo um pirralho de sonhar. E deixe que sonhe! Dê-lhe essa miserável oportunidade, lembrando-se de quando foi a sua vez. Lembrando-se de que o menino é o dono do amanhã.

Recomendações culturais para o fim do ano

Como universitária, digo Graças e Aleluias porque o fim do ano já chegou e FINALMENTE dá pra pensar em outras coisas que não sejam relacionadas a faculdade ou obrigações (embora as obrigações ainda existam, não existem elas). Então se você precisa dar uma descontraída no seu cérebro, tenho algumas indicações de coisas que vi ou estou vendo e, como dizem por aí, coisa boa tem que compartilhar! Então bora lá:

  1. Série: The Good Doctor

good_doctor_670x372_nobutton99893626

Para começar, vou indicar essa série maravilinda que por enquanto só tem uma temporada com 10 episódios, todos muito bem bolados e emocionantes (ou eu sou meeeeesmo muuuuuito manteiga). É sobre um médico cirurgião que tem autismo e savantismo. Para quem não sabe, autismo é um “transtorno de desenvolvimento grave que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir” – características muito apropriadas para um cirurgião, não é mesmo? Já a síndrome de savant, é um distúrbio psíquico que faz a pessoa ser muito inteligente e ter memória mega fotográfica (sonho de consumo dos universitários).

Veja o TRAILER aqui

Então, a série é realmente interessante embora eu não tenha um pingo de gosto por ver pessoas abertas ou órgãos fora do corpo. O pesonagem principal, Dr. Murphy é aquele cara que a gente acompanha nos episódios e quer dar um abraço (mas ele não gosta de abraços anyways). Eu indico assistir porque 1) é uma série curta, então você não precisa gastar sua vida assistindo, 2) discute muito sobre preconceito em vários aspectos, 3) discute sobre a dificuldade ética e moral que o hospital pode ter em relação a prioridades e patrocínio para continuar ativo enquanto isso interfere na vida das pessoas e acho que o que mais agregou para mim foi 4) conhecer um autista, mesmo que de longe. Os atores são ótimos também.

Poréééém, tem alguns conceitos da série que eu sou muito contra, por exemplo, eles insistem muito em dizer que a mentira é algo necessário para você viver bem. Mas nada que um filtro de senso crítico não ajude. Enfim, eu não sou a maior fã de ficar parada sentada olhando para uma tela por muito tempo, mas The Good Doctor com certeza é uma série que eu veria de novo para refletir ainda mais no roteiro, nas falas e tudo mais.

Infelizmente ainda não está disponível para streaming, mas eu assisti nesse site aqui.

 

       2. Livro: Passando a Limpo: O banho da Roma Antiga até hoje

2528697

a imagem está uma M, mas tá valendo 

Eu ainda não terminei de ler o livro, mas já estou recomendando porque ele é sensacional. A escritora e jornalista (quero esse título no meu currículo um dia) Katherine Ashenburg escreve de uma forma bem descontraída e fala na primeira pessoa da busca dela de produzir o material, então é uma leitura leve e gostosa. O título do livro já é bastante sugestivo em relação ao conteúdo, mas o que posso acrescentar do que li até agora é que tudo o que você sabe até hoje pode estar errado HAHA! E além disso é muito interessante ver como outras culturas lidam com a higiene pessoal e repensar os nossos próprios costumes. Bom, só posso dizer isso no momento, mas #ficadica. Você pode encontrar o livro para comprar nesse link aqui, embora eu tenha achado em uma feirinha por 10 pila (Curitiba sua linda <3).

 

        3. Documentário: Minimalist, a documentary about the importar things

maxresdefault

Aaaaaaah! Sabe aquelas coisas que você assiste e depois tem que ficar parada olhando pro teto pensando na sua vida e se perguntando: “como eu nunca pensei nisso antes?”. Pois é, a primeira vez que vi algo sobre minimalismo só passei o olho e nem me aprofundei no assunto, mas enquanto caçava documentários para ver na Netflix achei esse e já era.

São dois amigos que falam sobre o conceito de minimalismo, como eles chegaram a esse estado de “espírito” ou de sei lá, de falta de materialismo HAHA! É muito interessante. Já assisti duas vezes :B Acho que é algo no mínimo interessante para assistir nesse final de ano super capitalista e começar o próximo ano com tudo no lugar ideal.

Se ainda estiver com medo de dar um passo para um caminho sem volta, assista o trailer pelo menos e se dê essa linda oportunidade. Aliás, para você e para o ambiente ❤

 

        4. Ganhe uma grana bem feliz: Dog Hero 

app-doghero

Já que você está em casa de pernas pro alto, que tal unir o útil ao agradável? Muitas pessoas viajam nessa época do ano e não têm onde e nem com quem deixar o cãozinho. Aliás, essa pessoa pode ser você. Então lhes apresento o incrível app “Dog Hero”!  Você cuida de catioros, ama eles e ganha um dinheirinho em troca, muuuuito amor envolvido 🙂

Para saber mais e entrar nessa, clique aqui.

E essas foram as dicas para esse mês! Lembre de sair com os amigos, curtir a família e visitar os orfanatos e asilos que estão esperando muito carinho!

Brasil não prepara população para ter independência financeira

É fato: as crianças crescem e chegam à fase adulta. Esse é o período em que os aniversários continuam vindo, mas os presentes já são mais escassos e as responsabilidades maiores. Além disso, é o momento em que pedir dinheiro para os pais começa a ser algo incômodo para ambos os lados e a vontade de ser independente cresce. No entanto, quando o assunto é independência financeira, poucos realmente sabem o que estão fazendo ou o que devem fazer.

A máster Coach Luciana Panteleiciuc afirma que independência financeira nada tem que ver com um emprego, mas ter dinheiro suficiente para sustentar o próprio estilo de vida.  Luciana revela que nunca é cedo ou tarde para começar a preparar a vida financeira independente. “O maior erro é pensar que você é jovem demais para começar, porque depois começam as obrigações maiores e para aqueles que não adquiriram o hábito de poupar e investir cedo será muito mais difícil”, adverte. Panteleiciuc aconselha que de qualquer tipo de ganho seja separado entre 10 a 30% do valor para o “fundo de liberdade financeira”.

giphy

“Me mostre o dinheiro” gyphy.com

Frases a exemplo de “entra, mas não repara a bagunça” e aquele famoso “jeitinho brasileiro” para tudo, revelam um país pouco preparado para lidar com a vida financeira de forma saudável – o que reflete na economia do país. De acordo com um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em 2016, 46% dos brasileiros não têm controle sistemático do seu orçamento, enquanto 29% confiam na própria memória para se organizar. Além disso, 37% dos consumidores admitem ter feito uma aquisição desnecessária nos últimos 30 dias devido a facilidade do crédito. Já neste ano, foi revelado que 62% dos brasileiros não guardam dinheiro. Dos que responderam a pesquisa, apenas 7% reservam valor fixo mês a mês, e outros 29% guardam o que sobrou do orçamento.

Por outro lado, a taxa de empreendedorismo entre jovens de 18 a 24 anos aumentou devido a crise do país, levando 20% dos jovens brasileiros ao empreendedorismo. Willian Bontorin (22) faz parte dessa porcentagem. Ele já conseguiu algum dinheiro como Uber, mas atualmente está apostando na cerveja artesanal como fonte de renda. “Eu realizei um sonho meu que achei que só ia realizar com 25 ou 30 anos de idade que era viajar pela Europa”, revela, lembrando em meio a risos que mesmo com algumas dívidas conseguiu chegar lá.

O administrador e mestre em educação, Raphael Camilo, explica que a independência deve ser planejada para um, três e cinco anos. No primeiro ano é o momento de diminuir tanto as expectativas quanto os custos e colocar as contas em dia, vivendo com o mínimo que for preciso. Depois de conseguir a estabilidade na corda bamba, começa a parte de procurar onde investir o dinheiro para só então depois de cinco a sete anos começar a ver resultados. “A independência financeira é algo gradativo e acredito que quem falha em planejar, falha em executar”, declara. O administrador aconselha que nunca se dependa de uma única fonte de renda ou salário, mas que o dinheiro seja investido em alguma coisa.

giphy1

giphy.com

Antes mesmo de poupar e investir, Luciana adverte sobre a importância de ter educação financeira. Mesmo depois de já ter alcançado essa meta, é necessário que o estudo sobre finanças e mercado seja contínuo. “Dinheiro gosta de atenção e precisamos cuidar dele diariamente, assim ele se multiplicará”, exemplifica. Um exemplo: Raphael diz que, quando é jovem, possuir um carro pode atrasar ao invés de alavancar sua independência financeira e até mesmo criar prejuízos. Por isso sugere que sejam deixados de lado os gastos que não o levam para mais perto da meta.

A estudante de direito Andressa Lopes (21) trabalha no banco há três anos e já foi capaz de conquistar alguns objetivos, como pagar a faculdade, comprar um carro e ajudar nas despesas de casa, além de poder fazer suas comprinhas independentemente. Mesmo assim, ainda não se considera uma pessoa independente enquanto não sair da casa dos pais. Uma das formas que a estudante encontrou para organizar as finanças foi evitar compras que passam de três parcelas. “Depois de um tempo você não consegue prever o futuro para saber se amanhã você teria dinheiro para fazer o pagamento de uma parcela ou de outra”, declara.

E não para por aí, Andressa tem um caderno onde anota tudo o que entra e sai da carteira para ter noção de quanto vai sobrar ou quanto teoricamente pode faltar. Todo esse preparo que ela tem hoje vem de casa, ela conta que seus pais a instruíram sobre o assunto e desde nova a incentivaram a ser uma pessoa independente. “Não preciso casar para ter uma casa, nem de um homem para comprar um carro. Desde pequena me lembro dessa instrução: não dependa de ninguém para conquistar suas coisas”, relembra, contando que leva isso muito a sério hoje em dia.

giphy2

Giphy.com

Embora tenham se formado juntos no ensino fundamental, diferente dela, Willian não é a pessoa mais organizada que poderia ser. “Eu organizo as contas que tenho para pagar, porque agora só tenho contas para pagar”, ri. Depois dessa consequência, ele começou a montar planilhas no computador e criar consciência da importância da organização. “Meus pais sempre falaram pra eu guardar dinheiro, mas nunca falaram como, aí agora tomei uns tocos da vida, mas a vida tá me ensinando e eu tô levando”, conta.  A cervejaria Bontorin está em fase embrionária, mas ele acredita que será um grande sucesso.

O administrador apoia a iniciativa do aluno. “Precisamos encorajar os que estão vindo e desenvolver emergencialmente aqueles que já estão frustrados”, adverte. Embora a situação do lado de cá não seja a mais favorável, Raphael acredita que é possível reverter esse quadro se os jovens procurarem se preparar melhor financeiramente. “Sejam realistas, mas acreditem na mudança. Não deixe ninguém te enganar, e não pegue doce de estranho”, brinca.

 

**

PARA SABER MAIS ACESSE:

Me Poupe 

Finanças Femininas

Entre o prazer e a nutrição

A barriga ronca. O que a gente faz? Come. A gente vai comemorar aniversário, come. A gente vai sair com os amigos, come. Reencontrar a família toda no fim do ano, come pra valer. A gente vai chamar o crush pra sair… Come mais um pouquinho. E se tudo der errado, tem as amigas pra ajudar a acabar com o pote de sorvete. A gente come mais ainda, oras bolas! Já se diz por aí que tudo acaba em pizza. Come de feliz, de triste, de raiva, de tédio (sempre), de ansiedade. Chomp, chomp!

giphy

“eu amo comida mais do que eu amo pessoas”

Comer vai além do ditado de que “saco vazio não para em pé”. Quando se come, não se pensa somente em nutrição. Aliás, muitas vezes nem se pensa em nutrição, mas no bel prazer de mastigas e engolir. Hmmmmmm! A comida pode deixar de ser a amiga de todas as horas e se tornar uma grande vilã se for endeusada ou vista como inimiga da boa aparência. Sumir com um hambúrguer entre os dentes tão rápido que mal se lembra do gosto, evitar festinhas de aniversário ou deixar de ir com a galera do trabalho na lanchonete da esquina pra fugir das comidinhas pode ser sintomas de transtorno alimentar. Com tantas manias diferentes de cada um, como saber?

A nutricionista clínica comportamental, Fernanda Timerman, explica que apresentar sofrimento físico, emocional ou social em relação à maneira como come e na sua relação com o corpo; falar muito sobre dieta e sempre tentar algo novo, restringir cada vez mais a alimentação ou apresentar descontrole e se isolar por qualquer problema relacionado ao temor de não ter o que comer são alguns dos sintomas do desenvolvimento de alguma doença relacionada à má alimentação.  Antes de se servir é importante orar considerar qual é o motivo pelo qual se está comendo. A psicóloga Fabiola Luciano ergue a pergunta: que fome eu quero alimentar com essa refeição? “Muitas vezes é uma fome emocional que não é suprida por nada que a gente coma”, revela, se referindo aos excessos e restrições extremas. Há vários casos em que o transtorno alimentar tem que ver com algum transtorno psíquico como ansiedade e depressão.

giphy1

Giphy.com

Atualmente se vive em uma geração que busca comer bem, e de acordo com Fernanda essa procura pode levar ao desenvolvimento de algum transtorno. Inclusive existe nome e sobrenome para a demanda absoluta de comer alimentos “corretos”: ortorexia nervosa. É uma síndrome que pode causar danos sociais, emocionais e clínicos. Ela ainda declara que o equilíbrio na alimentação é o ato de conseguir identificar suas necessidades fisiológicas – a fome do estômago – e reagir mais a ela do que a fome emocional; sempre seguindo a regrinha básica de preferir alimentos naturais, integrais e ter flexibilidade de comer “guloseimas” em eventos sociais esporadicamente.

Foi só depois de experienciar a obesidade, a tão sonhada magreza e um distúrbio alimentar que Erika Elenbaas entendeu que tem muita história para ser contada sobre a forma como lidamos com a comida e com nós mesmos.  Hoje ela é desenvolvedora do blog Brigadeiro de Alface, que começou como um desabafo de sua experiência pessoal e atualmente ajuda pessoas a encontrarem equilíbrio na corda bamba entre nutrição e prazer provenientes do alimento.

giphy2

giphy.com

O equilíbrio está em algo óbvio: comer bem. Comer bem, por sua vez, é poder comer com moderação e controle. “Um controle natural, e não restritivo ou autopunitivo”, explica Fabiola. Devido a cultura fitness corrente nos últimos tempos, a busca por dietas tem tido repercussões não tão saudáveis. De acordo com a psicóloga, as dietas mais restritivas podem potencializar a compulsão alimentar. “O que acontece é que as pessoas vêm distorcendo o conceito de saúde”, admite. Saúde não quer dizer ter um corpo perfeito. Aliás, perfeição é algo utópico. Fabiola conta que muitos pacientes que estão acima do peso têm mais saúde do que aqueles que o índice de Massa Corpórea (IMC) é considerado ideal.

Foi assim com Erika. Tudo começou quando ela foi para Holanda em 2010 e deu início a uma dieta prescrita por uma nutricionista famosa de lá. A dieta pedia que ela ingerisse no máximo 1.200 calorias por dia. No entanto essa não era uma tarefa fácil de cumprir, por isso quando deslizava em um chocolate aproveitava para chutar o balde naquele dia e comer tudo que desejasse. No dia seguinte, dieta de novo. Começava um ciclo de comer pouco, muito, pouco… Isso aconteceu até se tornar frequente. “Eu me sentia péssima depois disso, extremamente culpada, envergonhada e solitária por não dividir essa dor com ninguém porque eu não tinha coragem”, desabafa.

giphy3

giphy.com

A psicóloga Fabiola revela que para manter o equilíbrio nessa questão, é essencial não perder de vista o referencial de si mesmo. “É um exercício diário e naturalmente difícil, porque como seres sociais temos necessidade de aprovação social”, afirma. A especialista acredita que o ideal seja se perguntar até onde essa aprovação é válida para que a pessoa não viva só para os outros. “Quando a gente faz isso, perde de vista quem a gente é, a nossa identidade e se torna só um modelinho que quer se encaixar em algum lugar e isso passa a não fazer sentido”, declara. Para perceber se alguém está indo longe demais, Fabiola conta que é preciso analisar o comportamento e o discurso da pessoa com relação a si mesma e a comida.

A fim de compensar as calorias escapulidas, Erika passava horas na academia para manter o peso, começando um novo ciclo: dieta. Compulsão. Queimar compulsão. De novo. Com a ajuda do esposo procurou ajuda e começou seu tratamento em um centro especializado em distúrbios alimentares lá na Holanda. Ela foi diagnosticada com bulimia, por acontecer compulsão mais de duas vezes por semana seguidas de um tipo de compensação. “Eu achava que bulimia era só pessoas que vomitavam e não é só isso, mas qualquer tipo de coisa que você usa como forma de compensar os excessos da compulsão alimentar, seja exercícios ou algum medicamento”, compartilha. Foram seis meses de tratamento, dos quais ela aprendeu que comer de forma considerada não saudável faz parte e, acredite, é saudável.

“Equilíbrio é viver bem com o alimento” – ELENBAAS, Erika

Acalento em acalanto

Isadora Canto nasceu debaixo dos braços do Cristo carioca, mas foi praticamente criada na capital brasileira. Ela se considera carioca candanga, e agora também paulista, onde mora atualmente e desenvolve seus projetos. Do muito contemplar o pai, Reinaldo Canto, fazendo música em casa e afora, ela mesma se tornou uma compositora. E não qualquer uma! Isa Canto já foi indicada ao Grammy. Mãe de Theo e Lia, abraça as mães por aí com suas melodias.

arquivo3

foto – Tati Wexler

Lia Costa: O projeto acalanto foi fundado em 2005, já faz mais de dez anos. Explica um pouco desse projeto.

Isadora Canto: O Projeto Acalanto na verdade nasceu em 2001 junto com o meu filho, mas ele só tomou forças em 2005 quando eu lancei também o CD Vida de Bebê. O projeto trabalha vivência musical na gestação, o fortalecimento do vínculo da mãe com o bebê através da música. Também sou fundadora do “Materna Canto em movimento”, que é do mesmo trabalho só que com os bebês já nascidos até os dois anos. E sou fundadora do coral só de mães, o “Materna em Canto“.

Lia: Muitos estudos falam sobre a importância da música durante a gestação. Isso te impulsionou de alguma forma a compor o CD Vida de Bebê?

Isa: O CD Vida de Bebê nasceu da seguinte forma: eu comecei a aplicar o acalanto nas gestantes e comecei a perceber que muitas mulheres não tinham música na vida. Ou elas tinham constrangimento de cantar, ou simplesmente não existia muita música na vida delas. E como eu tinha essa vontade latente de passar minha experiência para as outras mães, eu decidi que ia compor um CD. E foi uma catarse porque durante a composição eu revivi tudo que eu vivi com meu filho na minha barriga. Sem menor pretensão achando que eu ia passar a minha experiência para as minhas gestantes e quando eu vi estava lá em Los Angeles sendo indicada ao Grammy.

Lia: A sua música de alguma forma empodera as mães. Mas de onde veio a sua força de mãe?

Isa: Eu nasci de uma cesárea agendada, uma cesárea completamente desnecessária e durante muito tempo isso foi muito triste pra mim. E eu descobri que se não fosse isso, esse corte desse vínculo pra depois a gente refazer ele de novo, eu não teria esse nascimento do Projeto Acalanto e de todos os meus projetos. Independente do parto, esse vinculo pode ser formado, e no meu caso através da música. Eu acredito muito no poder da conexão. A música tem frequência que ela eleva muito a alma, ela desata nós.

Lia: O que você considera ser o mais importante no relacionamento maternal?

Isa: Eu acho que o mais importante no amor é a confiança. A confiança de que “deixa comigo que eu vou cuidar de você, vou te acolher, vou te proteger”. Então acho que a confiança é o cerne. Porque quando você mostra que você confia, essa criança tem toda a liberdade pra fazer tudo com a cabeça no lugar. Inclusive o deixar ser, deixar brincar livremente. A partir do momento que você está trabalhando esse vínculo desde a gestação você tá mostrando que tem o amor, que essa criança é bem vinda, que essa criança é bem quista.

arquivo2

foto – Terra Britto

Lia: Como foi a sua experiência com amamentação?

Isa: A minha experiência com amamentação é um relato bem difícil. Foi uma fase bem difícil da minha vida porque eu tive dois filhos, o primeiro de um parto normal muito violento, cheio de violência obstétrica, inclusive com a amamentação. Eu tive muita dor e não tive muito apoio nem muita informação porque eu era muito nova. Então eu consegui amamentar meu filho, mas por poucos meses, depois eu introduzi a mamadeira, o complemento. Sete anos depois que eu tive a minha filha em casa eu estava muito informada e achei que ia ser lindo, a minha amamentação tanto quando meu parto e não foi. Foi bem difícil, mas eu tive bastante apoio, bastante informação, precisei complementar apesar de dar o complemento chorando, mas eu fiz de tudo pra que ela mamasse. Eu chorava cada amamentação durante três meses, e aí a partir do terceiro mês em diante a coisa fluiu e eu amamentei ela até dois anos e meio. Então é uma história difícil, mas com um final feliz.

Lia: Amamentar envolve muito mito e até mesmo muito preconceito. Quais deles você já desmistificou?

Isa: Ah, a amamentação tem muitos mitos. Por exemplo: meu peito é pequeno, nunca vou conseguir amamentar… Eu mesma tenho seio pequeno e consegui amamentar. Bico invertido, “não vou conseguir amamentar” e consegue. Eu acho que hoje em dia tá havendo um movimento de tirar esses mitos.  A mulher pode amamentar, o leite é forte… eu venho de uma geração em que o leite em pó era incrível. Da minha família eu sou uma das únicas a ter parto normal e amamentar. Então são quebras de padrões que a gente precisa.

Lia: Tem mais música no forno? Se sim, dá uma palhinha por favor!

Isa: Tem uma musica nova que eu fiz a pouco tempo para aquelas mães tentantes. Aquelas mães que não conseguem engravidar e aí aquelas que estão na fila de adoção também.  Tive uma inspiração de um casal que eu conheço que estava tentando há dez anos e hoje ele tá gravida, e ela está na filha de adoção também. Então ela é…

Desde que eu pensei em ser mãe / você estava aqui / no meu coração/ no meu sentimento sim/ desde que meu corpo pediu o seu/ e o meu coração chamou pelo teu / eu sinto que você vem / todo tempo você tempo você tem / vem bebê / vem bebê / eu tô pronta pra você / vem bebê / vem bebê / eu tô pronta sim

arquivo1

foto – Tati Wexler 

Dica de Livro – Os cartazes desta história

capa.jpg

O livro “Os Cartazes desta História” é uma iniciativa do Instituto Vladmimir Herzog, no projeto Resistir é Preciso – cujo tem por objetivo manter a memória dos brasileiros a luta da imprensa durante a ditadura (momento em que muitos morreram). A obra foi organizada pelo jornalista e produtor cultural Vladimir Sacchetta, com projeto gráfico de Kiko Farkas.

A compilação é de 300 cartazes, documentos e fotos contra regimes militares e desrespeito aos direitos humanos na América Latina. São seis capítulos que abordam os temas: resistências, anistia, movimentos, mulheres, trabalhadores e estudantes, solidariedade, mortos e desaparecidos.

anistia

Vladimir alega que o pôster é uma manifestação que se cola na parede dando voz a ela em situações que o povo não tem a própria voz, é uma comunicação com a política. Na poluição visual de um cartaz o cidadão pode deitar os olhos ali e refletir sobre o assunto. “Tem uns [cartazes] que são muito chocantes, muito crus, de arrepiar”, declara. A compilação dos 300 cartazes e documentos visuais foram um ato político militante, organizado em anos.

“Não dá pra deixar a opressão massacrar você, um cidadão próximo ou longe de você, senão a gente não consegue a liberdade de expressão, de existir”, revela.

Para o jornalista, é importante resistir, cada um a sua maneira.  Vladimir Sacchetta tinha 13 anos quando a ditadura militar era vigente no país. Ele alega ter visto a ditadura de perto, dentro de casa, pois seu pai era militante de esquerda. “Fazer esse livro foi um mergulho nas próprias lembranças”, afirma.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Apesar de toda barbárie sempre tem alguém que resiste. Na época da ditadura militar, houve uma profusão de jornais alternativos que apontavam para as minorias e para a falta de direitos humanos. “Hoje a população pobre, negra, moradores de rua, excluídos sofrem com ações violentas”, afirma. Vladimir acredita que seja possível atuar na resistência de forma consciente, fazendo a política “a sua maneira” em manifestações, na rua e até mesmo dentro de universidades.

Em toda a organização da coleção de cartazes militantes e resistentes, Vladimir admite que o que mais chamou sua atenção foi a solidariedade dos outros países com a dor brasileira e a violação dos direitos humanos. “E também como que depois disso tudo a sociedade se organiza em trabalho de formiguinha”, comenta. De acordo com ele, a história vai se repetindo com fato e tragédia, fato e tragédia… Mas quando se pensa que a esperança acabou diante de tanto absurdo, de repente surge um movimento invisível que fazem sua política de outro modo.

vla

Vladimir Sachetta

Filhos de Ururaí

15b163cf961200ea6eb2c735f04f487c

Foto via psiccy.com

Já não é surpresa nenhuma ter vendedores ambulantes nos transportes públicos do país. É rotineiro e cotidiano até comprar desde balas a carregadores de celular ali mesmo na volta do trabalho para casa. Às vezes tem alguém fora da sobriedade, reclamando da vida em alto e bom tom. Já não bastasse o barulho dentro da cabeça de cada um, os pensamentos secretos, por vezes embolados em qualquer som que o fone de ouvido transmite. O metrô cheio de pessoas cansadas, sonolentas até, com o olhar perdido pela janela onde a paisagem passa ligeira como os segundos, minutos, horas, dias… Como a vida. Barulho, silêncio incômodo, de repente, poesia.

“Eu tenho um sonho / mas eu vivo um pesadelo só por assistir a luta de alguns guerreiros / que na batalha diária pelo pão de cada dia / vários passaram aperreio”

Ninguém reclama. Pelo menos não verbalmente. Uns aumentam o tom de voz da conversa, outros coçam as mãos para o aplauso ao final. A maioria apenas reflete. O rapaz com boné de aba reta e roupas largas continua ritmando e gesticulando com a mão:

“E o bebe? Tá pra nascer / E o aluguel? Tem que pagar / E o que é que você vai fazer? Desistir?”, ele hesita e esboça um sorriso antes de continuar.  “Não, nem pensar”.

16174357

Foto via Folha

O rapaz se autodenomina um Filho de Ururaí. Não apenas ele, mais dois ali no vagão. São os rapazes do leste de São Paulo, e, embora o bairro de São Miguel seja grande, os três se conhecem em meados de 2014 por “agirem” no mesmo território, como disseram. “Nossos trabalhos se cruzaram nessa trajetória de fazer sarau em São Miguel”, lembra o MC Lucas Afonso. O escritor, educador e poeta Rafael Carnevalli afirma que desde então ingressaram juntos no universo dos movimentos artísticos e assim se aproximaram. No caminho encontraram o produtor e ator Andrio Candido.

Não bastasse, Andrio é historiador e explica a história do próprio bairro, que deu origem ao nome do movimento de intervenção nos metrôs de São Paulo. São Miguel é um dos bairros mais antigos do estado, e já existia na época de José de Anchieta na batalha de Piratininga (lá por 1560. É, faz tempo). “Aqui era o território dos índios guaianás”, explica. O nome indígena do bairro é Aldeia de Ururaí, mas por conta da colonização se tornou São Miguel – nome de santo católico. Voltar ao nome original do lugar é o início da resistência dos Filhos de Ururaí. “Somos filhos dessa terra aqui”, reforça Candido.

A rima nos trilhos começou quando certa vez, no ano seguinte, quando estavam voltando de um programa, o trio conversava sobre criar algo em conjunto. “E aí a gente decidiu fazer poesia no trem”, conta Andrio. E lá iam os três: Andrio, Rafael e Lucas, entrando nos trens e recitando poesias ensaiadas. Então nasceu, no meio do povo, os filhos de Ururaí. Eles trabalham em prol da difusão da cultura e informação nas periferias de São Paulo e pretendem ser prolíferos. “A gente faz arte com o intuito de que ela seja uma ferramenta proveitosa, que ela seja útil além de ser entretenimento”, revela Candido. Para ele, além de auxiliar na evolução alheia, essa missão ajuda para que ele mesmo cresça.

Rafael conta que por serem educadores, também trabalham com turmas de escolas, ONGs e dão oficinas passando adiante a forma de expressão pela arte, especialmente literatura e poesia para jovens. “Faz parte até da democratização da informação, dos saberes, das lutas em sua diversidade mesmo”, declara. A gasolina dele é o reconhecimento, mesmo que seja de um aqui e outro ali. Esse reconhecimento pode ser de alguém que sempre alisou o cabelo sem saber por que, por receio de ser si mesmo. Com um sorriso, Rafael diz que é como se a pessoa sempre tivesse esperado ouvir aquilo para se libertar.

ururaí

Foto via allevents

Andrio compactua com o amigo, mas em particular sua motivação está na filha de nove anos. Como qualquer pai preocupado com o futuro da sua geração, ele quer construir um mundo melhor para que ela e todas as crianças cresçam. Uma vila, um bairro, uma rua, um local mais adequado com pessoas melhores para que sofram menos preconceito e agressão. Para que tenham mais ferramentas e meios de lidar com o mundo. Andrio solta junto com um breve riso: “minha missão é tentar deixar aqui um pouquinho melhor do que eu encontrei quando cheguei”.

“Pra gente ser o que a gente é hoje alguém lá atrás teve que fazer um corre, talvez não como o nosso, talvez até mais importante inclusive”, confessa Lucas, modesto. Para o músico, tudo isso é uma forma de retribuir aqueles que um dia se esforçaram: seus avós, seus pais e seus ancestrais. Aqueles que deram sangue e vida para tentar oferecer um mundo melhor, por mais clichê que isso possa soar.  “O contexto, a realidade que a gente vive me assusta muito, e esse medo que rodeia nossas vidas também é combustível pra seguir na caminhada”, reflete. Como não poderia ser diferente, deixa isso transparecer em suas músicas, na qual uma delas diz: Resistência, guerreiro/ Se entrega por inteiro/ Nosso suor não pode ir/ Pra boca do bueiro (Vai na Fé, Negô)

Da janela de casa, desde que nasceu, Lucas vê pessoas do lado de fora do mercadão, esperando o momento em que os alimentos não mais desejáveis para alguns seja jogado no lixo para outros aproveitarem. Homens, mulheres, crianças. Ele mesmo nunca precisou ir para lá procurar algo que ainda prestasse, mas não se acostumou e aparentemente nunca vai se acostumar com a desigualdade social gritante saltando ali mesmo, vizinha. A velha história de muitos tem pouco e poucos têm muito. Tem o quê, afinal, senão a mesma miséria? O Mc fala de um mundo ideal onde todos tenham acesso aos direitos de verdade, fora do papel. Com uma risada pela ironia da frase, diz que o ideal seria um lugar onde todos possam ter acesso a tudo que quem tem dinheiro tem acesso. Uma terra, uma casa, comida sem veneno, água potável, direito a lazer, acesso a cultura. É pedir muito? Rafael concordando com o amigo, diz que isso é o mínimo.

Nenhum deles tem olhar utópico sobre a situação atual, mas cada um deles faz a sua parte para que, que sabe um dia, as coisas estejam melhores. São adultos que não desistiram dos sonhos de criança, e que transbordam o coração em rima e arte. Andrio lançou um longa-metragem em 2014 gravado em São Miguel chamado “Um salve doutor”, que já está disponível no Youtube. Além disso, ele é educador artístico e organiza exibições com rodas de conversa sobre criação audiovisual de guerrilha e a presença do negro audiovisual. Também é autor do livro “Dente de leão” que é uma compilação de suas poesias desde que começou a atuar na cultura periférica. Rafael organiza o Sarau do bairro que já é tradição e o MAP (Movimento Aliança da Praça), além de três Slams (batalhas de poesia). Carnevalli também é escritor e autor do livro de poesias intitulado “Amador”. Lucas Afonso tem um EP chamado “A margem” e atualmente está gravando o primeiro álbum. E lá vão eles, expondo o cru e nu da sociedade pelos vagões, pelas rimas, pelas ruas, pela vida.

O QUE É QUE TEM NO LEITE DO NENÉM?

3c3935fa2b388eb0870b950d071d4c6c

PHOTOGRAPH BY GETTY IMAGES/CAIAIMAGE

A experiência de Karine Durães com amamentação começou cedo, quando ela tinha apenas 15 anos. “Foi muito bonita”, declara como sendo o motivo de sua decisão para ser nutricionista e consultora de aleitamento materno. Ela teve uma gravidez de risco e sua filha nasceu com 36 semanas de gestação, pesando 1k e 700g, o que é sinônimo de UTI. “Eu não fui orientada de início como poderia amamentar minha filha, apesar de ter um banco de leite no hospital”, alega relembrando a dificuldade que tinha do bebê pegar no peito depois da mamadeira.

Karine ainda revela que a gravidez de adolescência é uma gravidez marginalizada, e que os médicos não falavam com ela nem davam notícias. Ela foi se inteirar do assunto através de um livro chamado “Como e por que amamentar”, escrito pelo pediatra José Martins Filho. A adolescente aprendeu que o leite materno ajudaria sua filha a ganhar peso e sair do hospital o quanto antes. E assim aconteceu, dentro de 15 dias já estava fora da UTI. “Aquilo foi muito bom para a minha autoestima, eu me sentia como parte integrante da melhora da saúde da minha filha”, conta. Karine amamentou no peito até os 2 anos e 8 meses de idade da criança.

Embora a experiência de Karine tenha sido boa, várias mulheres sofrem na amamentação. Muitas mães que tem excesso de leite ou até mesmo a falta dele, sequer sabem que o Banco de Leite pode auxiliá-las com orientações acerca do aleitamento materno. Não são poucas as que passam dificuldades e apuros por falta de conhecimento sobre o assunto. É o caso de Elisângela Souza, mãe de um casal. “Confesso que nem tinha essa informação”, declara. Na segunda gestação o leite acabou em 42 dias e o bebê recorreu a mamadeira. Ela se sentia agoniada, triste e preocupada, pois diferente do que se diz, ela dava mais o peito para estimular o leite, mas mesmo assim não produziu. A mãe acredita que o motivo do leite ter “secado” cedo foi estresse. “Então, mamães, papais e demais familiares, procurem deixar a mãe que está amamentando o mais tranquila possível, colaborem”, pede.

Além da falta de leite, outro fator que atrapalha a amamentação são as dores no seio e bico, que podem machucar e muito. Joseli Gomes é mãe de quatro: três meninas e um menino. Ela doou leite no hospital após o parto em todas as gestações, mas teve dificuldade de amamentar por ter desenvolvido rachaduras no seio. “Sofri mais amamentando do que no parto”, afirma. A manicure confessa que chorava quando sabia que os filhos iam acordar. Durante a amamentação, ela apertava a mão de Ivo, seu esposo, para descarregar a dor que sentia. Fez tudo o que mandaram fazer, mas não tinha jeito. Ainda assim, diz ter valido a pena.

“Quando eles acordavam o leite já descia, é uma ligação de Deus, você sente”, revela em tom nostálgico.

Joyce Hoiser também não teve orientação na maternidade sobre o que deveria fazer para amamentar, e sua maior dificuldade foi os seios estarem muito grandes. Ela achava que a filha estava mamando quando na verdade não conseguia se alimentar. Como resultado, Lívia saiu da maternidade com amarelão. “Sentia-me um lixo por não conseguir amamentar a minha própria filha”, alega. Joyce revela que chorava trancada no banheiro, pois sentia muita dor e culpa. “Na verdade não sei no que eu sofri mais, no parto ou na amamentação”, afirma. Depois que um pedaço do bico do peito de Joyce caiu e ela foi levada a emergência, a doutora pediu para Lívia sair do peito. Aliviada, ela admite ter só então começado a olhar para a filha com amor.

“Se depois do parto as mães tiverem ajuda dos profissionais, dificilmente terão problema”, revela a consultora internacional em aleitamento materno e coordenadora do banco de leite do Hospital de Clínicas em Curitiba, e mestre em saúde da criança, Celestina Grazziotin. Ela atenta para a falta de orientação as mulheres no pré-natal em relação a ensinar posição e pega correta por exemplo. “Tem mulheres que deixam leite secar por falta de cuidado ou ajuda… Toda mulher que engravida prepara o corpo para a amamentação”, esclarece. Segundo ela, o banco de leite ajuda em casos de doentes, prematuros, gêmeos, trigêmeos e não bebês em casa que tem mãe. O objetivo é que a mãe consiga amamentar o filho. “Toda mulher que teve bebê, se teve apoio bem adequado, consegue ter leite e amamentar. Falta apoio”, adverte. A especialista orienta que as mães que tem dificuldade devem procurar ajuda profissional. Além disso, chama atenção para unidades de saúde a oferecer apoio a essas mães.

 

dor-na-amamentacao

Karine também concorda que um dos fatores que mais atrapalha a amamentação é a falta de informação em como amamentar de forma confortável. Quando o bebê consegue mamar de forma correta, o ato é totalmente indolor. Além disso, é importante se atentar aos fatores hormonais como adrenalina, sustos e cansaço extremo que podem atrapalhar na saída do leite materno. A ocitocina – hormônio liberado quando se está em situação de segurança – é responsável pelo leite sair do peito. Para ajudar a desenvolver ocitocina, soluções simples como um abraço ou toque de pele a pele ajudam.

“É importante apoiar essa mulher de todas as formas possíveis”, pede a especialista.

O âmbito social também pode gerar dificuldades na amamentação, pelo preconceito com crianças maiores que ainda mamam no peito ou com o aleitamento em público. De acordo com a nutricionista, a mulher precisa acreditar na capacidade do próprio leite.

De acordo com as especialistas, o leite materno é o alimento mais completo que existe no mundo, pois ele atende todas as necessidades de nutrientes e sais minerais da criança como: ômega 3, vitamina K, água, carboidrato, gordura, todos os micro e macro nutrientes disponíveis em quantidade adequada. O leite materno também tem substâncias que ajudam a proteger e aumentar a imunidade, além de conter fatores que melhoram e regulam a flora intestinal.

Segundo a Organização Mundial da Saúde e pesquisas científicas, o leite humano preenche necessidade de crianças até seis meses de vida. Após esse período o indicado é que alimentos especiais sejam introduzidos (as famosas papinhas) o que não exclui o peito. Geralmente a criança pode mamar no peito da mãe até os dois anos de idade, diminuindo gradativamente a frequência e introduzindo mais alimentos. “É uma vacina. Se ela quiser amamentar dois anos ou mais, permitam, ela que decida”, pede Celestina.

Depois desse período o ideal é que a espécie humana não beba leite industrializado ou animal. Para a estudiosa, o dito que é necessário beber leite para ter cálcio é um mito. As frutas, verduras e legumes tem fontes de elementos essenciais para viver bem até a velhice. “Só que é difícil introduzir isso na nossa cultura”, alega, completando que isso acontece por preguiça e urgência. Celestina apela que todos se desvinculem da força de pressão da indústria para o leite artificial. Também pede para profissionais da saúde e familiares apoiarem a mãe que está amamentando, confiando na capacidade dela de amamentar, uma vez que foi capaz de gerar.

Para Karine, a sociedade ainda tem preconceitos com amamentação, inclusive o meio médico que indica o desmame a partir de 1 ano de idade ou a introdução de fórmula infantil. “Nossa licença maternidade de 4 meses é uma licença que não ajuda a mãe a amamentar exclusivamente”, reclama dizendo que isso é um pecado em relação ao aleitamento materno. O escândalo que causa uma mulher amamentar em público também é algo que precisa mudar, porque de acordo com nutricionista, só consegue amamentar quem tem exemplos sobre amamentação. “O mundo inteiro ganha com a amamentação, então todo mundo deveria de alguma maneira incentivar o aleitamento materno”, incentiva.

Seja uma doadora

Para doar o leite materno, a mãe pode ir diretamente ao banco de leite para atendimento ou agendar uma visita a domicilio. No segundo caso, o contato é feito por telefone ou pessoalmente e em seguida a mulher passa por uma avaliação ou entrevista para conferir se ela está realmente disponível para doação. O próximo passo é agendar a visita e no dia receber um técnico de saúde que leva material esterilizado para coleta e então marcar o retorno, até que ela avise não ter mais excesso de leite.